quinta-feira, 28 de maio de 2015

Análise de estilo: Romero Lubambo e o violão brasileiro no jazz

Amigos,

No último sábado tiver o prazer de assistir um show de Romero Lubambo e comprovar ao vivo que estava diante de um dos maiores guitarrista da atualidade. Carioca, radicado há mais de 20 anos nos EUA, se tornando merecidamente um dos mais respeitados músicos no circuito mundial do jazz e da música instrumental.


Pode parecer estranho para alguns um brasileiro tocando jazz mas garanto que nenhum americano ou europeu se surpreende com esse fato, isso porque a nossa bossa nova, que tão bem incorporou as harmonias jazzísticas, conquistou o mundo a partir dos anos 60 e hoje, representa uma parte muito significativa de qualquer repertório jazzístico. Dessa maneira, o Brasil se tornou o segundo país mais importante no jazz, atrás apenas dos EUA.

A guitarra brasileira (vamos lembrar que guitarra e violão são o mesmo instrumento !) também há muito já conquistou os EUA e o mundo, nomes como Laurindo Almeida, Bola Sete, Toquinho, Toninho Horta e Baden Powell são mais do que conhecidos fora do Brasil.

No caso do Romero, o que impressiona é versatilidade com que ele transita entre o violão brasileiro e os estilos de jazz tradicional. Como falei antes, as harmonias da bossa nova são afins com as do jazz, porém, nossos instrumentistas costumam improvisar em um contexto bem mais melódico que os jazzistas tradicionais. Mas o Romero consegue adaptar muito bem essas diversas referências estilísticas de acordo com o contexto em que toca, mantendo sempre sua fluidez impressionante e sua personalidade em todos os seus improvisos. Essa capacidade de assimilação é o seu diferencial, embora tenhamos grandes jazzistas no Brasil, considero que apenas Romero Lubambo e Helio Delmiro chegaram nesse nível.

Vou colocar dois vídeos incríveis de uma apresentação do Romero com o grande Cesar Camargo Mariano, o primeiro, "No Rancho Fundo", o improviso do Romero é uma joia em si, mostrando bem a arte de construir um solo, começando devagar, aumentando depois a fluência e velocidade e finalizando com improviso em bloco de acordes. Vale a pena também escutar a gravação original dessa música, onde a guitarra foi tocada por Helio Delmiro.



No segundo vídeo, "April Child", o improviso do Romero mostra bem todo o seu virtuosismo, usando muitos ligados e cromatismos:



Outra coisa que impressiona no Romero é como ele arrasa tanto no papel de "sideman", tocando no contexto de uma banda quanto como solista, tocando arranjos que mesclam chord melody, solos, linhas de baixo e tudo o mais, como nesse grande arranjo de "Influência do jazz", música de Carlos Lyra, uma obra prima de virtuosismo e bom gosto !



É brincadeira isso né ? Acho que eu vou tocar corneta...

E para finalizar, destaco o desempenho do Romero na guitarra elétrica, é verdade que a praia dele é mais o violão mas quando pega a guitarra, seja tocando com os dedos ou com a palheta, soa maravilhosamente bem, mostrando um completo domínio da dinâmica e sonoridade do instrumento elétrico !

Vamos ver isso nesse excelente especial, onde Romero toca em algumas músicas em uma bela Yamaha Pacifica Mike Stern signature, que aula de música essa apresentação !



É isso, abraços a todos !

sexta-feira, 15 de maio de 2015

B.B. King - 1925 / 2015

Quando perdemos alguém assim, nem há o que dizer...

Vou deixar apenas a emocionante e lindíssima canção que Robben Ford compôs em homenagem ao Mestre, saudades eternas...


domingo, 3 de maio de 2015

Lee Ritenour & Mike Stern with The Freeway Band - Live at The Blue Note ...



Grande show, uma aula de guitarra e musicalidade desses dois mestres, muito jazz, blues e outras tendências nesse show gravado ao vivo no Japão e que ainda conta com a presença do grande baterista Simon Phillips.



terça-feira, 14 de abril de 2015

Hamburger Concerto - Focus (An International Collaboration)

Incrível, músicos de vários países se reúnem em uma banda virtual para regravar um clássico do Rock Progressivo, "Hamburger Concerto", do Focus, notem a participação do próprio Jan Akkerman, o guitarrista original do Focus !

domingo, 5 de abril de 2015

Mandar "importar" guitarra ou tirar atestado de otário ??!!

Olá !

De uma coisa podemos estar certos, todos nós seremos enganados algum dia, por mais cuidadosos que sejamos, isso porque existem pessoas que passam o dia inteiro pensando em novas maneiras de enganar o próximo e fazem da picaretagem o seu meio de vida. Em um país como o Brasil, onde os referenciais éticos são os mais precários possíveis, basta ver os governantes que temos, isso é uma verdade particularmente lamentável.

Porém, existem situações em que somos tão ingênuos que, além do prejuízo material, levaremos um lembrança ruim para o resto da vida, seja pela raiva que vamos passar, seja pelo tempo que vamos perder até entender que caímos em uma vigarice.

Quem acompanha aqui o blog sabe dos alertas que fazemos contra guitarras falsas e fraudes on-line. Não podemos deixar de alertar então contra um esquema que oferece para importa guitarras, em geral falsificações chinesas de Gibsons ou Fenders, anunciando em sites de vendas on-line.

A coisa funciona da seguintes maneira, o camarada anuncia várias guitarras sem que as tenha em estoque, até as fotos dos anúncios são copiadas do site chinês. Eles se apresentam como "importadores" e dizem que a mercadoria é importada com o prazo de 7 a 21 dias, ou coisa que o valha.

Aqui, temos a primeira mentira. Todos que adquirem produtos importados, instrumentos musicais ou outros itens quaisquer, sabem que está levando dois, três meses ou mais para a liberação de encomendas no Brasil. É claro que a encomenda pode chegar no Brasil em alguns dias mas pode levar MESES até  que as autoridades alfandegárias resolvam liberá-las. Aí quando você for reclamar com o picareta, digo, com o vendedor, ele vai dizer que a mercadoria já chegou no Brasil e se não liberam, a culpa não é dele...

O segundo problema é que existem impostos e taxas alfandegárias a pagar. Os maus anúncios omitem esses detalhes mas a verdade é que quem vai pagar isso é o comprador e não o vendedor. De uma maneira simplificada, os valores a pagar podem ser calculados aplicando 60% sobre o preço do produto mais o frete convertido para reais, que é o imposto de importação, e, em alguns estados como Minas Gerais, é cobrado ainda 18% de ICMS. Isso na teoria, porque a autoridade alfandegária pode arbitrar um valor ainda maior, ou pior, como essas guitarras são falsificações, podem determinar o perdimento (apreensão) da mercadoria.

Mas o mais revoltante é a maneira como a coisa funciona e a desproporção dos riscos envolvidos. O vendedor não corre risco nenhum, apenas embolsa um dinheiro fácil, porque o esquema é assim: o camarada anuncia as guitarras por cerca de R$ 1600, isso dá em torno de 500 dólares, aproximadamente. Ele então simplesmente embolsa 250 dólares e com os outros 250 doláres, ele cadastra um pedido de uma guitarra em algum site chinês como AliExpress, Wholesale e outros, colocando o seu endereço e seu nome. A partir daí, a responsabilidade dele termina, se houver qualquer problema ele vai mandar você resolver diretamente com o vendedor chinês, impostos também serão por sua conta, pois você só consegue retirar a guitarra nos correios se pagar os tributos ! E o cara embolsou 250 dólares sem fazer nada, sem correr risco algum !

Ora, se você quer comprar uma guitarra assim (não aconselho isso), pelo menos coloque você mesmo o pedido, vai gastar a metade do que gastaria comprando nesse esquema!

Isso sem falar no risco do cara simplesmente embolsar seu dinheiro e não te mandar nada, afinal, não são lojas físicas.

E meu, como esses caras vendem !

Então jovem, tome cuidado, PROCURE SABER ANTES SE A GUITARRA QUE VOCÊ VAI COMPRAR ESTÁ NO BRASIL, EM ESTOQUE E DISPONÍVEL PARA ENVIO IMEDIATO !!!


É isso, abraços a todos !

sexta-feira, 20 de março de 2015

O melhor canal de guitarra do Youtube !

Olá !

Se tem uma coisa da qual não podemos nos queixar é de falta de informações sobre o mundo da guitarra, pelo contrário, hoje em dia, penso que existe até excesso de informação ! Só no youtube, temos milhares de canais com reviews, covers,  dicas, aulas etc. Sabemos que a internet tem de tudo, gente muito bem qualificada, grandes guitarristas mostrando o caminho das pedras para os iniciantes mas também temos os falsos gurus, gente tosca que se acha e quer pagar de fera antes mesmo de saber tocar razoavelmente o nosso instrumento !...

Mas ok, as coisas são assim mesmo, cabe a nós filtrar as informações, melhor pecar pelo excesso do que pela falta, ainda mais para mim que peguei o tempo onde as informações nem existiam...

De qualquer forma, tenho o meu canal preferido no youtube, é de um alemão chamado Greg Hilden, esse cara é um negociante de guitarras de primeira linha, cada vez que ele recebe uma guitarra para vender, grava um vídeo no youtube com o instrumento, o canal dele possui a incrível marca de mais de sete mil vídeos, mostrando Fenders e Gibsons vintage, custom shops e outros instrumentos caríssimos, e, por vezes, raros. Mas o melhor é que o cara é um super guitarrista, um dos melhores blueseiros que eu já ouvi, é um enorme prazer assistir essa fera tocando essas guitarras maravilhosas, todos os dias novos vídeos são postados para o delírio dos que amam ver e ouvir essas belas guitarras !

o link do canal é:

https://www.youtube.com/user/GregsGuitars/videos


Vale muito a pena, veja um dos vídeos do Greg !


Divirtam-se !


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O melhor guitarrista do mundo !

Olá !

Quem é o melhor guitarrista do mundo ?

Quando somos jovens, é natural dar importância às referências superlativas, queremos saber o tempo todo quem é o "melhor", o "maior", o "mais forte", etc. Talvez seja uma forma de tentar experimentar os limites do mundo que se descortina a nossa volta, talvez, quem sabe, uma reação aos nossos pais, que nos comparam com nossos irmãos, primos ou vizinhos o tempo todo, ou ainda, talvez estejamos presos ainda ao mundo dos HQs, desenhos e seus superheróis !

Mas não vamos fugir a pergunta, afinal quem é o melhor de todos, deve existir um, certo ?!

Vamos tentar responder e aprender algo nesse post cheio de links e referências.

O primeiro guitarrista que eu prestei atenção foi Ritchie Blackmore,  Machine Head do Deep Purple foi o primeiro álbum que eu comprei. Foi muita sorte ter começado a amar a guitarra escutando alguém tão bom ! Ele tinha uma técnica mais desenvolvida que seus contemporâneos e ao mesmo tempo, um senso melódico e um sentido épico e dramático, que tornava seus solos emocionantes. De certa forma, ainda acho que ele é o melhor em alguns aspectos.

Ritchie Blackmore


Mais tarde, ao escutar o rock progressivo dos anos 70, vi que os guitarristas das bandas famosas, como Jan Akkerman, do Focus, Steve Howe, do Yes, Franco Mussida, do PFM e outros tinham uma técnica ainda mais complexa que a do Blackmore, eram caras que vinham do violão clássico e traziam influências diversas do country, do jazz e do folk.

Jan Akkerman


Entendi então que o mundo da guitarra era muito maior do que eu imaginava !

Mas diziam que o melhor de todos era Jimi Hendrix. Quando eu escutei ele pela primeira vez, foi um choque. Entendi que era um artista completo, magnífico compositor, cantor e performer. Duas coisas me chamaram atenção, primeiro, o timbre que ele tirava da strat, depois, a perfeição e a complexidade do seu trabalho na guitarra ritmo, nisso aí eu tenho toda a certeza, ele foi o melhor do mundo, quando você escuta Axis: Bold as Love e o Band of Gypsys tem a certeza disso. Já o trabalho dele nos solos era tão bom quanto os tops da sua época, como Eric Clapton e Jeff Beck.

Jimi Hendrix


Compreendi então que existem várias dimensões dentro da execução na guitarra !

Por essa época, comecei a ouvir outros estilos, na música country, descobri o incrível Albert Lee e no Blues o mestre Johnny Winter. Ainda hoje acho que esses caras são insuperáveis dentro dos seus estilos.

Ficou claro então que ninguém pode ser o melhor em tudo, ou em outras palavras, nenhum guitarrista pode ser o melhor em todos os estilos, temos que levar em conta o estilo, se quisermos fazer alguma comparação.

Quando finalmente eu descobri o jazz foi outro choque, porque eu vi que aqueles músicos tinham um conhecimento musical muito maior do que os guitarristas de rock que eu ouvia. O primeiro disco que eu escutei foi Spaces, do Larry Coryell, um álbum incrivelmente bom. Em especial, fiquei maravilhado com a faixa Rene's Theme, que trazia o Coryell e o John McLaughlin em um duo fantástico de violões ! Muita gente dizia que o McLaughlin era o melhor do mundo, pela sua velocidade e conhecimento teorico. Anos mais tarde, tive a oportunidade de vê-lo ao vivo e fiquei abismado com tanta técnica e musicalidade absurda do cara, durante muitos anos, ele era o melhor do mundo na minha opinião !

John McLaughlin


Mais tarde, descobri outros jazzistas fantásticos, Joe Pass, Pat Metheny, Mike Stern e Pat Martino, mas nenhum deles me impressionou mais do que o John McLaughlin.

Nos anos 80, aconteceu uma revolução na técnica guitarrística mas para ser sincero, não fiquei muito impressionado com caras como Van Halen, Satriani, Steve Vai e cia. Admirava a técnicas dos caras mas achava meio xarope as músicas. No entanto, gostei muito do Malmsteen, lembro que adorei Rising Force quando escutei a primeira vez, aquilo não me pareceu exagerado e senti alguma coisa ali dos progressivos dos anos 70, além de ele ser o Blackmore 2.0 !

Muito bem, eu continuava achando o McLaughlin o melhor do mundo, até o dia em que assisti uma inesquecível apresentação do Helio Delmiro, no Clube do Choro em Brasília. Eu já conhecia o trabalho do Helio no magnífico álbum Emotiva e também no Samambaia, gravado com o César Camargo Mariano, talvez o melhor álbum instrumental já gravado no Brasil. Mesmo assim, fiquei abismado com o seu domínio do instrumento, compreendi que aquela concepção que o Helio tinha da guitarra nunca poderia ser superada, um comando absurdo do desenvolvimento harmônico, uma digitação cristalina, velocidade enorme e um senso de improvisação sem igual. Acredito que hoje, nem o próprio Helio consiga mais tocar nesse nível !

Helio Delmiro



Mas que coisa, hein ?!

Então, a mensagem que fica é essa, música não é competição, os nossos gostos vão mudando com os anos e sempre devemos procurar conhecer novos músicos, o melhor do mundo é todo aquele que possui estilo próprio porque jamais poderá ser comparado com nenhum outro !

Mas... Hoje, eu disse hoje, se eu tivesse que apontar alguém como o melhor do mundo, eu apontaria um cara que mora minha cidade e que eu cruzo com ele a toda hora, e digo, não só sou eu que acho, outro dia escutei o John Pizarelli, que é um dos maiores jazzistas da atualidade também dizendo que esse cara é o melhor, então, pela sua capacidade incomparável de harmonização, suas composições maravilhosas (dentre elas, Beijo Partido, talvez a mais linda música da MPB), seu ritmo contagiante, sua importância no movimento do Clube da Esquina e na carreira do grande Milton Nascimento, eu diria que o melhor do mundo é esse gênio aqui, o Mestre Toninho Horta:


É isso, abraços a todos !

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Recordar é viver: treta com guitarra de Luthier...

Olá !

A respeito de uma treta que está rolando no Face envolvendo guitarras fabricadas por uma certa Luthieria, gostaria de relembrar um post que eu publiquei aqui em 2013:

Guitarra de Luthier vale a pena ?

É isso, se vc é leitor desse Blog não cai em roubadas !

Abç.

Mad

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

João Luiz e Douglas Lora - Brasil Guitar Duo




Mas que beleza de concerto, mais um duo violonístico para encher o Brasil de orgulho !

2:00 Domenico Scarlatti: Sonata L305
7:00 J.S. Bach: French Suite
23:00 Mario Castelnuovo Tedesco:
         23:00 Sonatina Canonica
         36:00 3 Preludes+Fugas from 24 P's & F's:
                    36:00 P&F in B flat
                    40:30 P&F in E flat
                    45:00 P&F in C

50:00 Douglas Lora - Baião
52:43 Egberto Gismonti - Sete Anéis (Seven Rings)
1:03:00 Djavan - Serrado

sábado, 10 de janeiro de 2015

Review: Análise da Pedaleira Digitech Element

Olá, um grande 2015 com muita guitarra para todos nós !!!



O que podemos esperar de um pedal que custa cerca de R$ 300,00 ? Bem, em se tratando da Digitech, podemos ser otimistas, afinal, essa fabricante se destaca pela performance das suas pedaleiras "entry level". Diz a lenda que a Digitech usa o mesmo processador em todas as suas pedaleiras, seja nas mais baratas ou nas mais caras.

Vamos conferir se é verdade ?

Primeiro, vamos verificar qual o processador usado na pequena Digitech Element:

http://digitech.com/en/products/digitech-element

Conforme podemos ver nas informações do link, o processador utilizado é um sistema de 24 bits chamado "Audio DNA2™ DSP Processor". As informações dizem que é utilizado um processador destes na pedaleira.

Vamos verificar agora qual é o processador utilizado na pedaleira que é atualmente o top de linha da Digitech, a RP1000:

http://digitech.com/en/products/rp1000

Conforme podemos ver, também aqui é usado o mesmo processador Audio DNA2™ DSP Processor.

Bacana, mas isso quer dizer que a pedaleira mais barata da linha e a mais cara possuem o mesmo som ?!

Bem, sim e não...

Digo isso porque, em tese (em tese...) as duas possuem o mesmo poder de processamento. A consequência lógica dessa afirmação é que a qualidade sonora deveria ser a mesma. Deveria... Isso porque uma pedaleira não é só hardware, é hardware + software, uma vez que os efeitos são gerados por programas, isso é, softwares... Então, nada impede o fabricante de programar esses efeitos para que soem com uma resolução piorada, ou seja, mesmo tendo o mesmo processador, o som da pedaleira mais barata não vai ter a mesma qualidade da que é top de linha.

Alguns fabricantes fazem isso ? Fazem sim...

A Digitech faz ? Bem, diz a lenda que não mas aí só comprando as duas para conferir... Mas, no fundo, isso não importa, temos é que saber se o equipamento é bom ou não !

Mas se a qualidade do som é a mesma, onde estará a diferença entre uma pedaleira mais barata e a top de linha ? Ah, essa é fácil, nos recursos e na construção.

Vamos ver então, em primeiro lugar, a Digitech Element não possui interface USB. Isso limita o uso dela para, por exemplo, fazer gravações e utilizar interfaces de programação em windows. Precisamos disso ? Talvez, mas o fato é que a proposta do pedal é de um pedal barato para tocar junto com o amplificado ao vivo, ensaios, etc. Dá para fazer gravações com ela ? Dá, é só conectar a saída dela no "line in" do computador, como um microfone, mas fica menos versátil do que uma pedaleira com interface USB. Entenderam ?

Construção

Bem, quanto a construção, é um pedalzinho meio feio, preto, quadradão, com um único display numérico, tipo aquele imortalizado na horrível Zoom 505II. Nada animador, existe ainda uma representação gráfica da cadeia de efeitos com um led indicando se o grupo está ativado ou não:



De fato não é um design do mais atrativos, aliás parece ter sido desenhada na Coréia do Norte, rs !...

Mas a construção tem seus pontos positivos, apesar da carcaça ser em plástico, o mesmo parece ser bem resistente e o mais importante, os botões de acionamento pelos pés são chaves de metal, o que favorece a resistência e a durabilidade.

Um outro detalhe de que eu não gostei foi que a unidade não pode funcionar com pilhas, apenas com uma fonte que vem junto com a unidade. Não que seja desejável operar o tempo todo com pilhas, mas, às vezes, em apresentações ao vivo, usar pilhas quebra um galhão, principalmente se a instalação elétrica do lugar deixa a desejar (e na maioria dos casos, deixa !). Mas a Digitech Element não permite isso. Por outro lado, a unidade é compacta suficiente para caber no bag da guitarra, muito bom !

Som da pedaleira !

Mas... E o som ?... 

Bem, vamos começar dizendo que a Digitech Element vem com um banco de 100 patches (sons) pré-programados e ainda com outro banco do usuário que permite a criação de outros 100 patches personalizados. 

Aqui cabe uma observação: muitas pedaleiras vêm com sons pré-programados cujo objetivo é mais impressionar o guitarrista na hora do teste do que realmente fornecer sons "usáveis" no dia a dia, para shows, ensaios, etc. Não é  esse o caso da Digitech Element, todos os sons disponibilizados que eu testei (ok, não analisei todos os 100 mas testei a maior parte !) são completamente usáveis e práticos. Bom !

Fiquei particularmente impressionado com os sons de drive/distorção. Muito bons mesmo, simulações muito bem feitas, seja de um leve overdrive tipo "Tube Screamer" ao metal brutal e pesado. Ouso dizer que tais simulações são capazes de enganar a maior parte daqueles puristas que só acham o analógico ou vintage bom, mas isso já é outra discussão. Os sons cleans eu também gostei bastante.

Recursos

A unidade possui as seguintes simulações de amplificadores:

'01 Mesa Boogie® Dual Rectifier
'57 Fender® Tweed Deluxe
'63 Vox® AC30 Top Boost
'65 Fender® Blackface Twin Reverb®
'68 Marshall® 100 Watt Super Lead (plexi)
'77 Marshall® Master Volume
'83 Marshall® JCM800
'96 Matchless HC30
DigiTech® Bright Clean
DigiTech® Clean Tube
DigiTech® Metal
DigiTech® Solo

Muito bom que o manual indica claramente os modelos simulados, dando nome aos bois, evita o trabalho de ter que ficar adivinhando a qual amplificador corresponde uma simulação chamada "britsh stack", como ocorre em outros equipamentos ". Também existe simulação de caixas acústicas, o que permite que a unidade seja usada sem amplificador, ligada direta na mesa, etc.

Os efeitos de modulação e eco também são bem legais. Gostei bastante das simulações com o phaser, tão boas quanto os pedais analógicos caros que eu tenho. Impressiona mesmo a quantidade de efeitos que essa coisinha emula (os efeitos que exigem pedais só estão disponíveis na Element XP):

Compression:
DigiTech® Compressor
Noise Gate:
DigiTech® Auto Swell Gate
DigiTech® Silencer™ Noise Gate
Distortion:
Acoustic Guitar Simulator
Boss® DS-1 Distortion
DOD® 250 Overdrive/Preamp
DigiTech® Death Metal™
DigiTech® Grunge®
Electro-Harmonix® Big Muff Pi®
Ibanez® TS-9 Tube Screamer™
Chorus:
Boss® CE-2 Chorus
DigiTech® Chorus
DigiTech® Dual Chorus
Flanger:
DigiTech® Flanger
Phaser:
DigiTech® Phaser
Pitch:
DigiTech® Detune
DigiTech® Pitch Shift
Vibrato/Rotary:
DigiTech® Panner
DigiTech® Rotary
DigiTech® Vibrato
Tremolo:
DigiTech® Tremolo
Envelope:
DigiTech® Auto Yah
DigiTech® Envelope Filter
DigiTech® Step Filter
EQ:
3-Band EQ
Delay:
Analog Delay
Digital Delay
Pong Delay
Tape Delay
Reverb:
DigiTech® Hall
DigiTech® Room
Fender® Twin Spring Reverb

Nada mal, não ?! Nesse ponto, o melhor mesmo é assistir um vídeo (não é meu !) com uma demonstração dos sons da pedadeira:





Facilidade de programação

Resta, no entanto, comentar um ponto importantíssimo: facilidade de programação. Como vimos antes, os displays da unidade são muito restritos. Isso dificulta a programação da unidade, mas, uma vez que tenhamos lido o manual com atenção e compreendido os recursos e fundamentos da pedaleira, não é muito difícil programar ou ajustar os patches. A melhor maneira, na minha opinião é procurar um patche com o som próximo daquilo que vc deseja e então, usando os botões de edição da unidade, fazer os ajustes necessários até chegar no som que vc quer. A facilidade de programação vem do conceito de "presets" pré-definidos. Isso quer dizer que, ao invés de ajustar cada efeito em seus parâmetros básicos, você apenas escolhe entre cerca de 9 opções pré-definidas, em gera começam da mais simples até a mais radical. Tudo tem um lado bom e outro ruim. Nesse sistema, você ganha em facilidade de programação mas perde em flexibilidade. Se quiser mais flexibilidade, vai ter que procurar uma pedaleira mais completa.


Outros recursos

A unidade ainda vem com afinador e com uma bateria eletrônica com vários presets de rock, jazz, country, etc, sendo possível o tempo dos mesmos. Merece também ser dito que o manual é bom (em português !). Ponto também para a qualidade da embalagem


Conclusão

Amigos, estamos falando de um pedal que custa entre R$ 250 a R$ 300, com um som miraculoso e uma quantidade enorme de recursos ! É um equipamento com qualidade profissional ? Pode ser usado em shows ? A resposta é SIM ! Com certeza é um equipamento muito adequado para os iniciantes.


Alternativamente também dê uma olhada em...

Existe uma versão chamada Digitech Element XP, cuja diferença é que vem com um pedal de expressão embutido, um pouco mais cara mas em compensação permite que se use os efeitos wah-wah e whammy (esse, uma especialidade da Digitech). 



Sugiro também que quem está pesquisando comprar pedaleira dessa categoria que teste as pedaleiras Vox Stomplab, testei apenas na loja mas gostei MUITO mesmo desse equipamento, são um pouco mais caras e a proposta do equipamento não é exatamente a mesma da Element, mas possuem um visual mais elaborado além da magia do nome da VOX.



Teste as duas e decida qual gostou mais !



É isso, abraços a todos !

Mad

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Body and Soul - Ricardo Silveira Organ Trio





Como Ricardo Silveira dispensa apresentações, só me resta comentar nessa maravilhosa gravação a performance da Vanessa Rodrigues, muita sensitividade e comando absurdo do B3, seguramente está entre os tops do instrumento na atualidade, fantástico esse vídeo

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Grandes lojas entrando forte na venda de instrumentos musicais !

Olá !

Está aí uma novidade que pode mexer com o mercado de instrumento musicais brasileiro, as grandes lojas estão entrando forte no mercado de instrumentos musicais, em especial no e-commerce. Até então, algumas lojas como o Submarino já ofereciam instrumentos, porém, era evidente que os preços eram irrealistas e o catálogo de produtos bastante restrito. No entanto, de alguns meses para cá, comecei a receber ofertas de grandes sites de e-commerce com preços e produtos realmente interessantes.

Não é de hoje que nós, músicos, temos reclamações dos comerciantes tradicionais de guitarras. Reconheço que é um ramo complicado, instrumentos musicais são mercadorias que possuem um custo alto e giro baixo, exigindo a imobilização considerável de capital para a manutenção de estoques.

Sendo ainda a maior parte dos produtos importada, estamos sujeitos ao impacto da variação do dólar, aliás, um impacto um tanto estranho, pois quando o dólar sobe os instrumentos sobem de preço no mesmo dia, no entanto, quando o dólar cai o preço continua o mesmo...

Uns culpam o governo pelos altos impostos, outros culpam os distribuidores dos produtos no Brasil, mas o fato é que continuamos a pagar muito caro pelos nossos instrumentos...

Então, vejo como saudável a entrada de grandes players no mercado, afinal, o consumidor sempre ganha quando a concorrência aumenta, não é mesmo ?

Um sinal disso foi a entrada da loja Ricardo Eletro, que passou inclusive a vender no Mercado Livre, através de um e-shop:

http://lista.mercadolivre.com.br/guitarras/_Loja_ricardo-eletro

Sei que muita gente tem medo de compras "on-line" (aliás, com razão...), em especial no ML, então, a entrada de grandes empresas nesse mercado oferece uma opção mais segura para quem deseja comprar através da internet com mais segurança.

Então vamos dar uma "passeada" em algumas dessas lojas e ver o que estão oferecendo ?

http://www.americanas.com.br/sublinha/326260/instrumentos-musicais/instrumentos-de-corda/guitarra

http://www.walmart.com.br/categoria/instrumentos-musicais/guitarra/?fq=C%3A2201%2F2204%2F

http://www.extra.com.br/InstrumentosMusicais/Cordas/Guitarra/?Filtro=C2471_C2093_C2401

http://www.submarino.com.br/sublinha/298198/instrumentos-musicais/instrumentos-de-corda/guitarra

http://www.shoptime.com.br/sublinha/326070/instrumentos-musicais/instrumentos-de-corda/guitarra

http://buscas.casasbahia.com.br/loja/Guitarra

http://www.magazineluiza.com.br/guitarra/instrumentos-musicais/s/im/iigu/

http://busca.soubarato.com.br/Guitarras.html

Ah, outra coisa importante, como os sites comparadores de preços monitoram os estoques dessas grandes lojas, podemos usar sites como o Buscapé e outros para descobrir onde um modelo está sendo vendido mais barato !

É isso, abraços a todos !

Mad


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Análise de estilo: Greg Lake !

Pode parecer estranho falar de um músico que ficou famoso como cantor de voz puríssima e exímio baixista em um blog de guitarra mas o Mestre Greg Lake tem muito a ensinar ao guitarrista iniciante, em especial pela sonoridade única que consegue tirar do violão de cordas de aço, através de técnicas bastante pessoais.

Nascido em 1947, esse ícone do rock progressivo inglês começou a ser notado no álbum 'In Court of the Crimson King', da lendária banda King Crimson. Conta a lenda que Greg e Robert Fripp (falaremos nele no futuro !) eram amigos e tiveram o mesmo professor de guitarra, daí o convite para entrar na banda e também muitas técnicas de guitarra em comum, em especial a forma de palhetar os acordes.

Mas foi com o Emerson, Lake & Palmer que Greg escreveu seu nome na história do Rock progressivo, um incrível trio de músicos que soava como uma orquestra sinfônica completa, com composições extremamente sofisticadas que evocavam compositores clássicos de vanguarda, como Bela Bartok,  Stravinsky e Prokofieff.

Mas o que o guitarrista iniciante tem a aprender com Greg lake ? Em primeiro lugar,  o cuidado com a sonoridade acústica. Greg Lake sempre se refere a si mesmo como um 'guitarrista rockeiro da velha guarda', segundo ele, era um discípulo de Hank Marvin, 'com strat vermelha e tudo mais', mas, mesmo sendo integrante do trio mais eletrificado de toda a história do Rock, definiu a sonoridade acústica do Rock com suas composições maravilhosas.

Vamos analisar aqui a interpretação de Greg da sua maravilhosa composição 'The Sage', incluída originalmente no álbum 'Pictures at an Exhibition'. Vejam o vídeo, é uma composição com forte influência do violão clássico. Notem como Greg consegue tirar um som inconfundível do violão Gibson, soa quase como um cravo, percebam como ele palheta os acordes, 'sweepando' para baixo e alternando a palhetada para cima. Sem essa técnica, você não consegue tirar essa sonoridade cristalina do violão de cordas de aço. Outra coisa que merece atenção é a técnica de 'hybrid picking' de Greg, tocando ao mesmo tempo com a palheta e com os dedos, vejam que incrível, olhem que música linda !



Outro vídeo que mostra, além das técnicas citadas acima, o uso de afinações alternativas no violão é a maravilhosa 'Still.. You Turn Me On'. Notem como a linha vocal é perfeitamente harmonizada pelo arranjo de violão:



Mas mesmo sendo um mestre da sonoridade acústica, Greg também arrasava na guitarra elétrica quando era preciso ! Vejam essa incrível performance do ELP em 'Karn Evil 9', com um grande solo do Greg (Paul Gilbert gravou um cover desse solo !) e o deus da bateria, Carl Palmer, quebrando tudo !



Greg Lake continua em atividade até hoje, infelizmente a sua voz puríssima ficou comprometida com os anos, talvez um pouco pela obesidade, porém, quando está mais enxuto, Greg ainda consegue cantar maravilhosamente, como nessa apresentação de sua linda composição 'I Believe In Father Christmas', tocada em uma igreja no natal de 2011 e ainda com a participação de outra lenda do Rock progressivo, o eterno Ian Anderson na flauta, imagino o que deve ter sido para os presentes a emoção de escutar essa voz lendária ressoando em toda a sua pureza na catedral, esse é um dos melhores vídeos do youtube !





É isso, não existe maior prazer do que falar dos nossos heróis, abraços a todos !

sábado, 25 de outubro de 2014

Morre Jack Bruce

Imensa tristeza, um artista maravilhoso, um gênio do baixo com uma voz fantástica (meu, que voz !) que marcou gerações, infelizmente os grandes da era de ouro do Rock já estão muito velhos, e pior, os novos que chegam não têm um décimo do talento, será o fim do Rock ?

http://g1.globo.com/musica/noticia/2014/10/jack-bruce-ex-baixista-do-cream-morre-aos-71-anos.html

Vamos relembrar o incrível concerto de reunião do Cream em 2006 com a formação original, Clapton, Jack Bruce e o sobrenatural Ginger Baker, simplesmente uma apresentação impecável onde os veteranos mostram toda a técnica e a energia original da banda !



Outro grande trabalho de Jack Bruce foi o fenomenal West, Bruce & Laing, que rendeu três incríveis álbuns, dentre eles o maravilhoso album ao vivo Live'n Kickin, como eu amei esse disco !


Missão cumprida Jack, descanse em paz, herói !

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mais um Guitar Wiring inédito !

Hi newbies !

Segue mais um guitar wiring radical usando o superswitch apresentado no post anterior. Dessa vez, valos alocar a posição 4 do Superswitch para ligar os captadores do braço e da ponte em paralelo, para conseguir o famoso timbre característico da Telecaster com a chave na posição do meio. A configuração ficaria então:

1 - Captador do braço (sem alterações);
2 - Captador do braço em paralelo com o captador do meio (sem alterações);
3 - Captador do meio (sem alterações)
5 - Captador do braço em paralelo com o captador da ponte(som de Telecaster !);
5 - Captador do meio em SERIE com o captador da ponte (simulando humbucker na ponte).

Clique para ampliar



Destaco que penso que esses dois wirings (esse e o anterior) são inéditos, hehe, pelo menos eu nunca vi estas configurações postadas em outro site, mas vai saber !...

É isso !Tio Mad mata a cobra e mostra o pau, é nóis ! 

Abraços a todos !