terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Pedais ou Pedaleira ? Por onde começar ? (I)

Olá !!!

Primeiro post de 2014, que este seja um ano de grandes conquistas e muita música para todos nós !

Vamos começar o ano com uma série de posts sobre pedais, pedaleiras, simuladores, efeitos, etc. O assunto é bastante extenso então vamos abordá-lo com calma, sem tentar resumir as coisas.

Nesse post, vou contar o meu envolvimento com os pedais e como minhas preferências mudaram ao longo dos meus muitos anos de guitarra. Esse Blog foi feito com o único objetivo de ajudar os iniciantes e não de promover o blogueiro, quem me acompanha há mais tempo sabe que eu quase nunca falo de mim mesmo, já chega o excesso de autopromoção que a gente tem que aguentar nos fóruns de guitarra, certo ?! Mas nesse post vou abrir uma exceção, porque acho que a minha experiência será bastante instrutiva para os iniciantes.

Então vamos lá !

Muito antes de aprender a tocar, ainda nos primeiros anos da adolescência  comecei a me interessar por eletrônica e ler as revistas especializadas. Posteriormente, fiz também escola técnica. Nessa época uma revista técnica revolucionou a área de eletrônica, a saudosa "Nova Eletrônica". Essa revista, além de publicar artigos e esquemas de montagem, também vendia os kits com peças para quem quisesse comprar e montar. Já nos primeiros números, uma série de artigos sobre áudio e efeitos para guitarra chamaram minha atenção. O autor era o hoje lendário CCDB - Cláudio César Dias Baptista, irmão do Sergio e Arnaldo dos "Mutantes" e responsável pela construção dos equipamentos e instrumentos da banda. O estilo intrigante de escrever, misturando conceitos técnicos com filosofia e humor transformaram o Cláudio no grande "guru" do áudio e do DIY (Do It Yourself) de toda uma geração. Um gênio ! E o melhor, ele prometia que os seus circuitos seriam módulos de um sintetizador de guitarras ! Imaginem a minha excitação com isso, um garoto ter a perspectiva de montar um synth no auge do rock progressivo !

E, de fato, montei vários circuitos publicados pelo Cláudio, como o Phaser, Flanger, Distorcedor, Oitavador, etc. Esses circuitos, bem como as revistas podem ser encontrados para download na internet. Assim, tomei conhecimento de que o mundo da guitarra... era mais do que a guitarra !

Quando comecei a tocar guitarra, já trabalhava e possuía grana para comprar o que bem quisesse, comecei "colecionando" os pedaizinhos da Boss, Digitech e Ibanez. Quando apareceram as primeiras pedaleiras da Zoom também fui comprando e continuei também construindo os meus próprios pedais.

Pedais da Boss ! (não tive todos, mas tive muitos desses!)

Minha primeira pedaleira, pequenina, ficava presa a correia !

Não gostava nem um pouco dessas pedaleiras antigas (as com lógica de 16 bits), o som que eu conseguia com os pedais era infinitamente melhor.

Um dia, comprei uma guitarra Brian Moore que tinha o captador especial GK da Roland embutido e permitia conexão direta com os processadores avançados das linhas VG e GR.  Comprei uma série de equipamentos dessa linha, o incrível VG8 (equipamento revolucionário para a época !), depois  o VG88,  a linha de sintetizadores midi GR-30 e GR-33. Aí então descobri que essas pedaleiras caríssimas estavam anos-luz à frente de qualquer coisa que eu já tinha experimentado ! Durante muito tempo toquei exclusivamente com esses equipamentos e fui muito feliz !

Roland VG8


Porém, quando comecei a tocar mais a sério em ensaios e shows, comecei a ter alguns problemas. Primeiramente, o medo de uma dessas pedaleiras sofisticadas quebrar no meio de um show. Eu não tinha uma reserva. Também só possuía uma única guitarra que era compatível com estes sistemas, a Brian Moore. Eram equipamentos caros, não parecia sensato um músico amador ter sobressalentes, fora o perigo de roubo.

Por conta disso, acabei voltando para os pedais. E nessa época, comecei a comprar os chamados pedais de "boutique", como os da Xotic, Catalinbread, etc. De fato, principalmente em se tratando de overdrive e distorção, estes pedais entregam um timbre superior.

Eu era então o típico músico amador que tinha uns 10 pedais caros na pedalboard, amplificadores valvulados cheios de detalhes e gastava uma grana pretíssima todo o mês comprando equipamentos e... tinha um timbre bem ruim !!!

Nessa época, algumas coisas me fizeram mudar. Primeiramente, fiquei amigo de alguns músicos profissionais, desses que tocam na noite, MPB, Jazz, etc, e vi que eles tinham uma visão completamente diferente sobre guitarras e equipamentos. Entendi que a obsessão com timbre e equipamentos é coisa de "guitarrista de apartamento", caras que estão trocando de equipamentos o tempo todo e por isso mesmo nunca conseguem acertar o seu som ! Vi que os profissionais ficam bastante tempo com um equipamento e conhecem muito bem aquilo que usam. Que o cara que sabe equalizar corretamente um amplificador consegue um timbre muito melhor do que outro que tem dezenas de pedais e processadores. Minha conclusão foi quanto mais botões existem, mais difícil é de se conseguir chegar em um bom resultado. Pelo menos para mim !!!

Decidi então simplificar minha cadeia de efeitos, passei a usar apenas um wha, um phaser, um delay e um overdrive e toquei muito tempo com essa configuração.

Porém, comecei a mudar também como guitarrista. Passei a tocar quase que exclusivamente Blues, Soul Music, MPB e um pouco de Jazz. Estilos muito chegados no som clean. Comecei também a me dedicar mais a guitarra ritmo e a harmonia. Isso me fez, aos poucos, migrar para os amplificadores transistorizados, já que mesmo a compressão leve do canal clean dos valvulados me incomodava um pouco. Entendi também que o som que eu quero pede uma Stratocaster com singles de baixíssima saída. A maneira como eu toco também foi mudando aos poucos, eu não brigo com o som da Stratocaster, tento "engordar" o som da guitarra tocando muitos intervalos, oitavas, acordes, raramente eu toco uma nota única, mesmo em um solo ! Fui então abandonando aos poucos os pedais até usar apenas o wah. Depois, nem mesmo ele !

Hoje, toco sem nenhum pedal, uso apenas uma Stratocaster, customizada e regulada por mim mesmo e um amplificador que tenha reverb de mola, sempre tocando clean, às vezes com um pouquinho de drive do próprio amp. Embora eu não seja um músico muito técnico, digo que tiro um som matador desse equipamento, tem gente que fica intrigada com isso !

Meu equipamento para um show: Uma Strat Fender e um pequeno Amp !


Muito bem, vimos então que aquele garoto que era fascinado com os pedais, que teve de tudo, hoje não usa nenhum ! Isso não quer dizer que o mesmo vai acontecer com você, cada um deve procurar o seu som, o seu caminho, seja ruim mas seja você mesmo !!!

No próximo post, os pedais analógicos, abraços a todos !



sábado, 21 de dezembro de 2013

Merry Christmas !!!

Um feliz natal para todos os amigos que acompanharam o blog em 2013, as coisas nem sempre são fáceis mas o importante é que chegamos até aqui !!! Deixo esse lindo vídeo de natal com o Mestre Greg Lake acompanhado pelo grande Ian Anderson, duas lendas maiores do rock progressivo, um grande abraço a todos !!!

 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Review: Tagima TG530 "Woodstock"

Olá !

Nos últimos posts, apresentamos uma proposta para melhorar as reviews de instrumentos. Neste post, vamos aplicar essa metodologia na review do novo lançamento da Tagima, a stratocaster TG530, denominada "Woodstock".

Esta strat é mais uma guitarra fabricada na China e distribuída pela Tagima. Como a maioria das strats de baixo custo, esta também vem com corpo em basswood e com braço em maple. O diferencial dessa guitarra está na qualidade da pintura do corpo e no acabamento do braço, talvez por isso custe um pouco mais do que as strats chinesas com essas especificações.

Pintura e Acabamento

O corpo vem com uma pintura em PU de excelente qualidade. A guitarra que eu examinei vinha com uma pintura vermelho metálica na cor "candy apple red". Já comentei em post passado que considero esta cor a mais bonita de todas ! A tonalidade do candy apple red dessa guitarra  é muito bonita e não ha encontrei um única falha na pintura. Cheguei também a testar na loja uma da cor azul metálico, igualmente excelente. E o mesmo pode ser dito em relação ao verniz do braço, feito em uma bela tonalidade e muito bem aplicado. Este acabamento combinado com o escudo e plásticos "mint green", também de ótima qualidade, resulta em uma stratocaster realmente linda !

Tagima TG530 Woodstock



Braço e Trastes

O braço tem 22 casas e é feito em maple, porém, não em peça inteiriça, ou seja, a escala é esculpida em uma peça à parte. Não entendo bem o porque dos fabricantes fazerem isso, presumo que é por uma questão de facilitar a linha de produção, um mesmo braço pode ser usado para receber escala clara ou escura, segundo a demanda dos pedidos. Tenho uma certa reserva quanto a isso, preferiria que viesse em peça única mas não tenho elementos para dizer se o timbre pode ser comprovadamente afetado por essa construção.

Detalhe da do braço em maple, com escala em peça separada

A marcação dos dots é preta e os trastes médios. A nut é plástica.

detalhe do braço e dos trastes


Parte Elétrica

Já a parte elétrica traz 3 singles cerâmicos. Curiosamente, a primeira vez que eu vi essa guitarra na loja, tive quase certeza que ela vinha com captadores em alnico quando toquei nela. Realmente a aparência externa dos singles deixa dúvida se são de alnico ou cerâmicos mas mas quando abri essa da review comprovei que são, de fato, singles cerâmicos.

Aparência externas dos captadores

Parte Elétrica: captadores cerâmicos

Porém, achei o timbre dos singles legal, a guitarra entrega um som de strat bem convincente com os captadores originais. 

* * * Editado - um leitor informa (vejam nos comentários) que a guitarra deveria vir com os captadores em alnico, como está descrito no site de algumas lojas e que a Tagima se prontificou a substituir os captadores cerâmicos por um set em alnico. Entrei em contato com a Tagima e vamos confirmar esta informação. Neste caso, a guitarra ganharia muito em atratividade ! * * * 

* * * Edit 04/12/2013 * * * Então, recebi a resposta da Tagima nos seguintes termos: 

"Em 04/12/2013 09:20, Williamar Campos Ambrosio escreveu:
Ola tudo bem?
Peço desculpas pelo erra , mais esse modelo possui captador com imã cerâmico e não alnico. Esse foi uma erro de copiar e colar na hora de fazer a descrição que infelizmente deixamos passar desapercebidos .
Abraço."
Acho lamentável esse tipo de posicionamento  mas já esperava por algo do tipo, afinal, mostra bem como as empresas brasileiras tratam o consumidor. Montar uma fábrica, treinar operários e controlar a qualidade dos produtos é algo um tanto complexo. Já encomendar instrumentos chineses e conferir o que recebeu deveria ser algo bem mais simples, mas, com certeza, mesmo isso deve estar além da capacidade de quem tem dificuldades em copiar e colar.... Alguns sites onde o consumidor é enganado, digo, informado que a guitarra vem com captadores em alnico:

http://www.carneiromusic.com.br/produto/3328-guitarra-tagima-woodstock-series-tg-530-sg
http://www.musicacenter.com.br/ecommerce_site/produto_6624_10826_Guitarra-Tagima-Stratocaster-Woodstock-Series-TG530
http://www.mundomax.com.br/guitarra-woodstock-series-tg530-verde-tagima
http://eurosoundmusical.com.br/index.php/guitarra-tagima-tg-530-woodstock-series-surf-green-1156.html
http://www.elomusical.com.br/2011/4,CORDAS/48,Guitarras/8819,GUITARRA_TAGIMA_WOODSTOCK_-_TG-530_MR_VERMELHO_METALICO_


E fim de papo ! * * * 

A fiação, potenciômetros, switch e capacitor estão ok.


As tarraxas são seladas e aparentam ser de boa qualidade, vêm com o logo da Tagima e também não vejo a menor necessidade de trocá-las. A parte traseira do headstock vem até com serial, hehe !

Headstock - detalhe das tarraxas seladas

Já a ponte vintage possui os carrinhos com qualidade razoável, porém, como acontece nas guitarras nessa faixa de preços, o bloco da ponte não é do tipo "big block" e sim uma peça mais fina e com menor massa. Esse detalhe afeta negativamente o timbre do instrumento.

Close da ponte

Detalhe traseiro da ponte e do bloco

Sempre existe a possibilidade de fazer um upgrade da ponte ou apenas do bloco (o site guitarfetish.com vende blocos de boa qualidade que podem ser adaptados). Pessoalmente, prefiro outra solução. Considero que a ponte vintage de 6 parafusos, mesmo sendo de boa qualidade e corretamente regulada não consegue entregar a mesma performance de uma ponte pivotada. Neste caso, acho mais vantagem travar a ponte com um bloco de madeira cortado especialmente para isto. Pretendo fazer um post em breve sobre o travamento da ponte. Com a ponte travada, minha experiência mostra que não há necessidade mexer no bloco.


Setup e Ajustes

A guitarra veio com as cordas muito altas, foi necessário ajustar o tensor. Com as cordas na altura correta, identifiquei trastejamento apenas em um ponto mas não cheguei a analisar se seria necessário fazer um nivelamento nos trastes, talvez sim. De uma maneira geral, o trabalho de trastes estava aceitável.

Metodologia Objetiva

Muito bem, registradas as minha opiniões sobre a guitarra, vamos aplicar a nossa planilha para estabelecer a pontuação, lembrando que  uma Fender Americana consegue uma nota geral de cerca de 8,9 nessa metologia. As notas da TG530 foram:

CONSTRUÇÃO E TOCABILIDADE 8,33
ACABAMENTO 9,00
MADEIRAS 5,98
PARTE ELÉTRICA 3,95
FERRAGENS 3,55
PLÁSTICOS 10,00

NOTA FINAL 6,20


A planilha com os detalhes da pontuação está no link abaixo:


Notem que planilha traz também algumas medidas da guitarra e a comparação com o padrão Fender.

Conclusão

Achei uma strat bem legal, mais uma boa opção para quem está começando ou mesmo para quem já toca com banda em ensaios e shows. Acho que a Tagima poderia lançar uma versão já com captadores em alnico e com a ponte com um bloco melhor, a qualidade do acabamento do instrumento justifica essa melhoria, lembro que a antiga TG635 brasileira, apesar de ter vários problemas, vinha com uma ponte de ótima qualidade com big block e nut de bronze, esse era o motivo porque muitos elogiavam o som desse modelo.

É isso, uma review bem detalhada, aqui a gente mata a cobra e mostra o pau, pau com cordas, evidentemente...

Abraços a todos !


* * * Edit 03/o2/2014 * * *  Pessoal, apenas para complementar a review, um detalhe que me passou despercebido (imperdoável, porque é evidente !), o escudo da guitarra não segue exatamente o padrão fender no shape e no número de parafusos, notem que tem 9 parafusos, um tanto estranho isso, só conhecia escudos com 11 (os mais comuns) e 8 parafusos, não que isso prejudique em algo o instrumento mas se vc quiser trocar o escudo, possivelmente os que seguem o padrão fender não vão servir, principalmente por causa da diferença de shape. A razão do escudo ser diferente é que o corpo da guitarra não segue exatamente o padrão da Fender, o "chifre" direito do corpo é um pouco mais cavado e estreito, talvez tenha sido feito assim para facilitar o acesso a parte final do braço ou talvez para previnir algum processo da Fender, vai saber... O fato é que se quiser trocar o escudo vai precisar mandar um Luthier fazer um.


domingo, 24 de novembro de 2013

Uma proposta para as reviews de guitarra !

Olá !

Vamos continuando com o assunto review.

No post de ontem vimos alguns problemas que podem comprometer a credibilidade das reviews de instrumentos, dentre eles o interesse comercial e a falta de experiência de quem faz a avaliação.

Na opinião do Blog, a  melhor solução seria criar um método que permita separar o que é fato das impressões, opiniões e preferências de quem avalia, ainda que estas também sejam importantes.

A nossa proposta é criar um critério de pontuação e julgamento que resulte uma NOTA OBJETIVA para o instrumento, conseguida esta nota aí sim podemos considerar as opiniões e impressões subjetivas.

Difícil ? Sim, mas não impossível. Para chegarmos nessa pontuação, vamos utilizar uma técnica chamada "nota percentual acumulada". Este método é utilizado para pontuar julgamentos técnicos em licitações e outras aplicações. Funciona assim: uma guitarra, no exemplo uma Stratocaster, valeria no máximo 100%. Estes 100% nós vamos dividir, digamos 25% para a construção, 10% para o acabamento, 20% para as madeiras, 25% para a parte elétrica 15% para as ferragens e 10% para os plásticos. Depois, vamos pegar cada item destes e subdividir atribuindo novos percentuais, por exemplo, a parte elétrica seria dividida em captadores, chave de seleção, potenciômetros, capacitor, fiação e blindagem. Estabelecemos mais uma vez os percentuais. Por fim, pegamos estes itens e novamente subdividimos, por exemplo os captadores seriam divididos segundo os tipos mais comuns em:

Cerâmicos Genéricos de baixa qualidade
Cerâmicos Genéricos de boa qualidade
Cerâmicos de marca de 1a Linha
Alnico Genéricos
Alnico de Marca de 1a Linha
Ativos
Noiseless
Captador Custo Shop ou "de boutique"

Estabelecidas os percentuais para cada um, bastaria o usuário marcar qual captador a guitarra possui. A nota final é obtida multiplicando os percentuais da "árvore" de divisões e somando.

Parece complicado, não ? Felizmente existem as planilhas Excel que facilitam essa implementação !

Abaixo, uma foto de parte da nossa planilha de avaliação (clique nela para ampliar):


Bacana, não ? Listar os itens a ser avaliados não é difícil, o problema é estabelecer os percentuais... Aí é que está, jamais encontraremos dois guitarristas que concordem com os percentuais que eu estabeleci, normal isso, rsrs !

Mas o caso é o seguinte, podemos discutir e estou aberto a sugestões para alterar os percentuais, caso argumentos mais fortes do que os meus sejam apresentados e quem não concordar de jeito nenhum poderá baixar a planilha e modificá-la como achar melhor, criando seu próprio critério, ok ?

Nessa metodologia, uma Fender American Standard conseguiu uma nota de 8,9 (89%)

A planilha terá ainda outras abas para registrar os dados da review, as opiniões e impressões e as fotos.

Daqui para frente, todas as reviews do blog serão feitas nessa metodologia, que ainda está sendo aperfeiçoada. Por enquanto criei apenas o modelo que serve para avaliar Strats e Teles, depois crio as outras.

No próximo post, a primeira review nessa metologia,  a da guitarra Tagima Woodstock TG-530.

Por enquanto, quem quiser dar uma olhada na planilha dessa review, clique AQUI


sábado, 23 de novembro de 2013

Mas qual é o problema com as reviews de guitarras ?!

Olá, newbies do bem!

O ano está terminando e daqui para a frente, o blog ficará mais focado nas reviews de instrumentos, uma vez que os assuntos básicos já estão bem documentados aqui. Mas vamos iniciar uma discussão sobre os objetivos, qualidades e problemas com as reviews, para que não incorramos nos mesmos erros que temos observado com relação a esse assunto.

Acho que todos sabem o que é uma review, é o registro da opinião de quem comprou um instrumento ou teve a oportunidade de testá-lo, relatando os pontos positivos e negativos, e ainda, talvez, recomendando ou não a sua compra para outros interessados.

Vamos encontrar reviews nas revistas e sites especializados, nos blogs, comunidades e fóruns da internet, e, ainda, as vídeo reviews no YouTube, cada vez mais comuns.

O problema começa quando analisamos a credibilidade dessas reviews.

Quando a review vem de uma revista, site especializado ou mesmo um canal de vídeo com milhares de seguidores, temos que considerar a possibilidade de que exista interesse comercial envolvido. Vejam o caso das revistas, elas perderam muitos leitores por causa da internet, será que possuem independência para apontar pontos negativos sem o receio de perder anunciantes, que já são tão poucos ?

No caso dos fóruns, o problema é outro: não sabemos quem está por trás da review. Quem frequenta diariamente os fóruns e comunidades da internet já conhece os usuários mais antigos e sabe quem tem credibilidade ou não para opinar. Porém, quando se pesquisa uma review pelo google e acha alguma coisa em fóruns, fica a dúvida se  aquela opinião merece ser levada em conta.

Mesmo um guitarrista experiente leva algumas semanas, ou mesmo meses,  para formar uma opinião sólida sobre um instrumento, já que sabe que deve testar a guitarra em diferente situações. No entanto, é uma situação muito comum em fóruns aquela do moleque que compra a sua primeira guitarra e no mesmo dia já posta uma review falando maravilhas do instrumento ! Normal isso, empolgação só faz bem para a alma mas coitado de quem compra uma guitarra igual baseado nessa opinião !

Lembro de um caso de um usuário de um fórum que escrevia muito bem, posts longuíssimos sempre em português impecável e falando sem parar em equipamentos. Pois bem, o tal carinha postou, tretou, causou, recomendou instrumentos, detonou outros, chegou ao ponto criar um tópico para queimar o filme daquele que é considerado um dos maiores Luthiers do Brasil. Até que alguém descobriu que esse carinha era um moleque com 9 anos de idade na época e nem sabia tocar guitarra direito !!! Tudo bem, nada contra a molecada, reconheço o potencial incrível desta geração, eles são o futuro da guitarra mas uma opinião tem que ter um embasamento, coisa que só a experiência traz !

Existem ainda aqueles que eu chamo de "e-Ndorsers", carinhas pagos pelas empresas para se cadastrar nos fóruns ficar falando maravilhas dos equipamentos de um determinado fabricante sem se apresentar como endorsers de fato da empresa! Tem luthieria e handmaker de pedal por aí que são especialistas nisso !...

Tá achando ruim ?!! Isso não é nada, o pior que pode acontecer é você comprar uma guitarra ruim, coisa que até tem o seu lado bom, pois nada nos ensina mais do que uma guitarra péssima, o pior é o que acontece no mercado financeiro, onde milhares de pessoas perdem as economias de uma vida comprando ações de empresas falidas, como Laep, Mundial, Agrenco, OGX e outras por causa das mentiras e potocas que os vigaristas e estelionatários postam nos fóruns de finanças ! Bem vindo ao mundo real !!!

Mas, por outro lado, não podemos ficar esperando que apareçam super especialistas para analisar os instrumentos que nos interessam, isso simplesmente é muito difícil de acontecer. O que precisamos é de um MÉTODO que permita organizar e separar o que é opinião subjetiva do que é fato nas análises de instrumentos. Se conseguirmos isso, até a opinião de um guitarrista inexperiente passa a ter o seu valor e precisamos da opinião de TODOS, já que hoje temos milhares de marcas e modelos no mercado !

Possivelmente amanhã, postarei a continuação do assunto com uma proposta de modelo para as reviews de guitarra que pode resolver este problema !

Até e abraços !





domingo, 3 de novembro de 2013

Tocar com cordas grossas... Será que vale a pena ?!

Olá, turminha das seis cordas!!!

Se houve uma coisa que me motivou a criar esse blog foi a oportunidade de evitar que os iniciantes sejam prejudicados pelas bobagens que circulam pelos fóruns, blogs, comunidades, facebook  etc. Claro que existem ótimas informações nesses canais, mas, infelizmente, nosso instrumento é vítima de  uma série de conceitos errôneos, lendas urbanas e outras bobagens que acabam se transformando em verdade, tal é a quantidade de guitarristas (?) que assinam embaixo dessas asneiras.

Pois bem, é muito comum um iniciante receber o conselho para que leve sua guitarra em um Luthier para colocar um jogo de cordas "pesado", calibre 0.011, 0.012 ou mais, para que sua guitarra "melhore o timbre" ou para conseguir o "som" do Stevie Ray Vaughan...  Em parte, esse conselho deriva de uma uma atitude um tanto ridícula de querer mostrar que guitarra "é coisa de macho", que guitarrista bom é um "ogro" do tipo Zakk Wylde, que Stevie Ray Vaughan tocava com encordoamento .014, e tal e tal. Mas, por outro lado, as cordas mais grossas trazem mesmo uma melhora no timbre, pela sua maior massa.

A questão aqui é analisar os pontos negativos e positivos das cordas grossas para chegar a uma conclusão se vale a pena tal mudança.

Mas vamos primeiro entender a numeração das cordas de guitarra. Cada corda de guitarra tem uma espessura diferente, por isso mesmo é possível atingir diferentes afinações em cada uma. O mercado de instrumentos costuma apresentar essas medidas em polegadas ("inches") e referenciar um  determinado conjunto de seis cordas pelo calibre em polegadas da corda mais fina (a chamada "mizinha" !). Assim, quando compramos um jogos de cordas .009, essa é  medida da corda mais fina, as outras cordas do jogo, evidentemente, são mais grossas. Existe um certo padrão para as medidas das cordas dentro do jogo, com pequenas variações de fabricante para fabricante. Em geral, as medidas seguem a tabela abaixo (válida para guitarra elétrica, cordas para violão estão dentro de outro padrão), sendo que as medidas estão da corda mais fina para a mais grossa:


set "extra super light" (levíssimas): .008 .010 .015 .021 .030 .038
set "super light" (super leves): .009 .011 .016 .024 .032 .042
set  "light" (leves): .010 .013 .017 .026 .036 .046 
set "medium" (médias): .011 .015 .018 .026 .036 .050
set "heavy" (pesadas): .012 .016 .020 .032 .042 .054 


É bom saber antes que, quando compra uma guitarra nova na loja, é quase certo que ela vem com um jogo de cordas .009 e se você quiser trocá-las por um jogo de outro calibre muito provavelmente o tensor da guitarra terá que sofrer um ajuste, possivelmente será necessário o envio da guitarra para um Luthier fazer essa troca e esse serviço tem um custo, é claro.

Entendido ? Agora que já sabemos o que significam os números, vamos entender as vantagens e desvantagens associadas às cordas leves e pesadas.

Um resumo sobre as vantagens e desvantagens trazidas pelo calibre das cordas:
  • Quanto mais grossa é a corda, maior o volume de som e maior o sustain (tempo que a corda soa).
  • Quanto mais grossa é a corda, mais difícil é fazer "bends", segurar acordes, pestana, vibrato e outras técnicas.
  • Quanto mais fina é a corda, mais fácil ela se quebra.
Muito bem, vamos analisar isso na prática. Os iniciantes não possuem ainda a força e os calos dos dedos formados, coisa que vem com o tempo. Então, um jogo .009 é bastante adequado para os iniciantes, pois vai proporcionar um bom equilíbrio entre a sonoridade e a facilidade de execução. Já  um jogo .008 talvez fosse mais adequado para quem tiver mãos pequenas ou então quiser se dedicar a um estilo muito veloz de palhetada, tipo Malmsteen, mas não é uma opinião unânime. 

Já um jogo .010 para iniciantes eu só recomendaria para iniciantes se fosse em guitarras que possuem escala padrão 24.75 polegadas, como as Les Pauls, pois nesse caso o tamanho menor da escala faz com que as cordas trabalhem com uma tensão um pouco menor, não recomendo para inciantes que tenham Stratocasters e outras que possuem escala de 25.5 polegadas. Porém, para quem toca guitarra há mais tempo é uma ótima opção, eu mesmo toco usando Stratocaster com um set .010 !

Acima disso (.011, 0.012, etc) a execução se torna uma verdadeira tortura para o iniciante, sendo praticamente impossível fazer bends normais ou executar acordes com pestana.

Uma coisa que poucos notam é que os grandes mestres da Stratocaster, como Jimi Hendrix, Robin Trower, Stevie Ray Vaughan, Kenny Wayne Shepherd e outros utilizavam cordas mais grossas, porém, afinavam a guitarra meio tom abaixo para diminuir um pouco a tensão das cordas !

Então a conclusão que eu deixo aqui é que você, pelo menos enquanto tiver na fase de aprendizado, evite as cordas grossas pois essas só vão retardar o seu desenvolvimento.

Vamos lembrar o que disse Rusty Cooley, um dos guitarristas mais técnicos que existem a respeito de se usar cordas grossas:

"Tocar guitarra já é difícil, para que você quer deixar isso mais difícil ainda ?!"


Abraços a todos !










sábado, 12 de outubro de 2013

Extreme Makeover ? Upgrade radical em uma Guitarra de R$ 300,00 !

Hi kids !

Em homenagem ao dia das crianças, Tio MadGuitarMan vai responder à pergunta de 1 milhão de dólares ! Bem, talvez nem tanto, mas decerto vou responder a pergunta de 300 pilas, que, por sinal, também não quer calar:

"Se pegarmos uma guitarra de R$ 300 e trocarmos tudo, mas TUDO mesmo, colocando peças top de linha, até que ponto ela chega próxima a uma guitarra top, digamos, a uma Fender Americana ?!"

Em outras palavras, estaremos avaliando até onde é possível chegar com um corpo de basswood e um braço de maple, desses bem baratinhos, já que o resto vamos trocar !

Agora, se você  já é leitor desse blog, sabe que o pensamos sobre "upgrades", já escrevi esse post aqui onde que falo que 90% dos upgrades que a turminha faz é apenas jogar dinheiro fora e que jamais devemos gastar muito com uma guitarra barata, no final vai ficar mais caro do que comprar uma guitarra de qualidade.

Mas, nesse caso, trata-se de uma "experiência" então vamos esquecer por um momento estes bons conselhos e vamos colocar peças excelentes (e caríssimas !) em uma guitarrinha barata apenas para ver o que acontece !

A escolha da guitarra


Mas então, eis que um dia estava andando pelo centro da minha cidade e passei em frente a uma loja bem pequena, dessas especializadas em vender instrumentos para músicos evangélicos e vi uma strat com um tampo figurado vermelho que me chamou a atenção pela beleza. Era uma strat Groovin, marca costumeiramente associada a instrumentos de qualidade duvidosa. Porém, mais uma vez, se você é um feliz leitor desse Blog, já sabe que esse nicho do mercado muda constantemente, a cada momento os fornecedores chineses mudam e a qualidade dos instrumentos que chegam melhora (ou piora !). Tirei uma foto da guitarra com o meu celular ainda na loja:

Foto da guitarra na tirada ainda na loja

Por que resolvi escolher essa guitarra ? Em primeiro lugar, achei a guitarra LINDA, como vocês vão ver pelas fotos a seguir. O corpo dessa strat é diferente. Ele é reto, não tem o "arm contour" das strats tradicionais e tem ainda um friso contornando tampo do instrumento. Como colocaram uma folha de maple tigrado no tampo, esse corpo ficou muito parecido com o a rara e bela Fender Aerodyne:

Fender Aerodyne

Curiosamente, a guitarra tinha também um "matching headestock" vermelho muito bonito, o que a fez ficar ainda mais parecida com a Aerodyne da foto acima.

Além da estética, os outros pontos positivos que eu achei na guitarra foram que o acabamento translúcido da parte traseira mostrava um corpo de madeira feito de 3 peças e com um peso bem adequado para uma Stratocaster, nem muito leve, nem pesado demais. Outra coisa que eu gostei bastante foi que o braço, bastante bem feito,  tinha um formato "C" shape bem próximo ao da minha Fender American Standard. O instrumento ficou muito bem balanceado e transmitia uma sensação de solidez, coisa não muito frequente em guitarras desse preço.

Infelizmente nem tudo eram flores. A "nut" era extremamente mal feita, não tinha como corrigir, só trocando mesmo e a guitarra estava completamente desregulada e deu para ver que ia ser necessário fazer um nivelamento dos trastes. Só esses dois problemas, caso eu mesmo não tivesse feito, iria gastar uns R$ 200 num Luthier... Outra coisa não muito boa era que o escudo não seguia o padrão exato da Fender, embora a diferença fosse muito pequena, não percebi isso na loja.

As tarraxas eram seladas, achei a qualidade boa. A ponte bem ruinzinha, como costumam ser nessa faixa de preço e os captadores fraquíssimos.

Mas enfim, a guitarra era muito bonita e resolvi pegar assim mesmo !


O upgrade


Bem, não falei que iríamos trocar tudo e colocar tudo do bom e do melhor ? Começamos então com os captadores, coloquei logo um set Seymour Duncan Lipstiscks, um dos melhores sets  que eu conheço para stratocasters, são captadores que entregam um belíssimo timbre característicos de singles coils vintage mas com aquele ressoar típico dos lipsticks. Tenho uma outra strat equipada com lipsticks GFS, também captadores excelentes (e muito mais baratos do que os SD) mas o set SD tem um som mais equilibrado nos graves (os GFSs puxam um pouco para o agudo) e os caps do set são mais equilibrados entre si. Mas recomendo fortemente qualquer um dos dois sets, um timbre maravilhoso, visual arrasador e a capa de metal fornece uma blindagem adicional que, por si só, reduz os ruídos dos singles !

O que mais foi trocado :
  • Toda a parte elétrica, potenciômetros, fiação, capacitor e chave.
  • Os abaixadores "arvore" foram substituídos por outros do tipo "roller".
  • A ponte eu coloquei uma que eu tinha parada aqui da Condor, não é uma ponte top mas é muito boa.
  • A nut defeituosa foi substituída.
  • As tarraxas eu deixei, achei as originais boas.
  • Cordas D"Addario 0.10
Além disso, tive que fazer um trabalho de nivelamento dos trastes, que estavam completamente desnivelados.

A guitarra depois do upgrade !


Assim que recoloquei o escudo com os lipsticks, levei um susto ! A guitarra ficou mais LINDA ainda com eles ! o Tampo reto figurado, o friso e o visual chocante dos lipstciks deram a ela um ar de "Surf Guitar" fantástico, vou colocar logo as fotos, melhor do que ficar falando !

Frente da guitarra, notem o matching headstock !

Detalhe do friso

Corpo de madeira em 3 peças 



Close do corpo


Os testes com a guitarra


Tudo resolvido, peças instaladas, trastes nivelados e guitarra regulada, liguei ela em um amplificador Fender SuperChamp XD e escutei um timbre clean muito bonito, gostei, não esperava que ficasse tão bom ! Fiquei com ela em casa várias semanas, sempre tocando junto com minhas outras strats, a minha impressão nesses testes é que a guitarra realmente entregava um belo som de strat, porém, sem a mesma complexidade e riqueza de timbre das minhas duas strats principais, mesmo assim gostei bastante, era um prazer apenas ligar a guitarra e ficar tocando só para ouvir o som dela !

Após umas semanas tocando em casa, levei ela para um ensaio com a minha banda, que basicamente é um trio composto de bateria, baixo e guitarra que acompanha um saxofonista, nosso repertório é composto de arranjos com múiscas de Jazz, Blues e Soul music. A guitarra fica clean praticamente 100% do tempo. Nesse ensaio, não gostei do resultado. Achei que o som ficou muito agudo, os graves soando fracos e sem presença, uma coisa que não se espera de jeito nenhum com um set de captadores de alta qualidade como esse. Enfim, decepcionante.

Fiquei pensando no que podia ter acontecido, já que a guitarra soava bem no pequeno valvulado Fender com que eu toco em casa. Fiz uma nova regulagem na guitarra, alterando inclusive a altura dos captadores. Lembrei também que o amplificador que eu uso nos ensaios, um Laney TF200, está precisando de uma revisão, de vez em quando o som fica ruim, sem presença nenhuma e esse defeito é intermitente. Talvez o amplificador estivesse dado "tilt" no dia do ensaio...

Passado algumas semanas, fui em um outro ensaio onde tocaríamos um repertório de classic rock. Dessa vez as coisa foram diferentes, o som da guitarra estava excelente, todos na banda elogiaram a beleza do instrumento e seu som ! Participou desse ensaio o cantor e professor de guitarra Inácio Cavalieri, um músico profissional muito experiente e que sabe tudo de guitarra. O Inácio inclusive tocou na Strat Groovin e fez elogios ao seu som.

Eu fiz um pequeno vídeo do Inácio tocando na guitarra, a qualidade do vídeo e audio não é das melhores pois foi filmado com o celular mas dá uma ideia do timbre da guitarrinha !


Conclusão


Confesso que quando planejei fazer esse post tinha certeza que o resultado mostraria que não vale a pena investir em uma guitarra barata. Não foi bem assim. Com certeza mesmo com todos os upgrades a guitarrinha não consegue entregar um som com a riqueza de timbres de uma boa Fender americana com corpo de alder. Porém, a verdade é que mandou um som de strat muito bom, o corpo de basswood não comprometeu aquele timbre estalado de strat que todos gostam, isso foi uma surpresa para mim. Daria para fazer um show profissional com essa guitarra e seus upgrades, ela seguraria o som de uma banda ? Com certeza.

Eu planejei fazer um vídeo comparando a Groovin com a Fender mas  confesso que fiquei com preguiça, depois que já tinha conseguido fazer um vídeo no ensaio que mostrou o som da guitarra. Mas se vocês quiserem, peçam que eu faço !

E o que acontecerá com a guitarrinha ? Bem, não faz sentido deixar um set de caps tão caro quanto esse nela. Vou retirá-los. Aliás, acho que um upgrade com caps de maior saída seria mais recomendado para esse instrumento mas gostei tanto do visual dela com os lipsticks que hesito em mudar, quem sabe encomendo mais uns lipsticks da GFS ?

É isso, espero que tenham gostado do post, abraços a todos !



* * * Atualização 14/02/2014 * * * Bem, a guitarra continua do mesmo jeito, não retirei as peças e tenho usado ela direto em ensaios e shows. Realmente gostei desse instrumento, foi o melhor resultado que eu já obtive com upgrades de guitarras e olha que já fiz muitos ! Os pontos fortes são o braço extremamente confortável e o timbre muito equilibrado, clean lindo, um pouco "dark", como eu gosto. A guitarra desperta muita curiosidade dos outros guitarristas, pela beleza, pelo som e por ser de uma marca de instrumentos baratos, a galera fica intrigada ! Já encomendei uma ponte melhor para ela. Gostaria muito de conseguir outra igual mas já procurei e  não acho, a loja onde eu comprei fechou, se alguém souber onde tem outra Groovin   (mas tem que ser igualzinha, com headstock vermelho !) igual a essa, me avisem, plz !


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Qual é a melhor guitarra abaixo de R$ 300,00 ??!!

Boa noite, crianças !

Na minha idade já devo ter visto de tudo ou quase tudo na vida ! Para falar a verdade, até enterro de anão (que, ao contrário da crença geral, existe !) eu já vi. Mas uma coisa que eu nunca vi é aspirante a guitarrista com dinheiro sobrando, até mesmo porque a imensa maioria é muito jovem e depende do dinheiro dos pais, sendo uma coisa bem complicada convencê-los a desembolsar uma grana preta em equipamentos para iniciantes, considerando o aperto em que estão as famílias no Brasil de hoje.

Assim, não é de se surpreender que muitos perguntem qual é  a melhor guitarra que se pode comprar com um mínimo de grana, e estou para dizer que esses são a maioria ! Se você já acompanha o mercado de instrumentos musicais, deve saber que as guitarras mais baratas são encontradas na faixa  entre R$ 200,00 e 300,00, ainda que estes preços estejam disponíveis apenas no Mercado Livre e em sites da internet. Em lojas físicas, o preço sobe um pouco. Abaixo disso é muito difícil encontrar um instrumento novo. É claro que essa faixa também varia um pouco conforme o valor do dólar. Mas o fato é que existem dezenas de marcas que oferecem modelos dentro dessa faixa.

Muito bem, em primeiro lugar acho melhor limitar a nossa análise aos modelos Stratocaster, Telecaster e assemelhados. Isso porque é muito difícil guitarras do tipo Les Paul, SG e outras cujos modelos originais têm braços colados apresentarem uma qualidade minimamente aceitável nessa faixa de preço. Se você quer uma guitarra assim, melhor economizar um pouquinho mais e depois comprar algo na faixa que começa lá pelos R$ 700,00.

Se você ler esse post aqui, vai encontrar ótimas recomendações para guitarras de braço colado, mas em outra faixa de preço.

Mas é possível comprar uma Strat com qualidade razoável para quem está começando abaixo dos R$ 300,00. É claro que uma guitarra de R$ 300,00 é uma guitarra de R$ 300,00, não se iluda quanto a isso. Outra coisa que podemos notar é que nessa faixa, as guitarras são muito próximas em termos de qualidade (ou da falta dela !) umas das outras. Pudera, todas vêm da China, são produzidas com o mesmo material e com a mesma técnica ! Nesse post aqui, eu já expliquei como é o esquema das guitarras "made in China". Então, nessa faixa de preços não vejo muito sentido em ficar discutindo muito qual marca é melhor ou pior, Memphis, Condor, Benson, Eagle, Michael, etc, etc, até mesmo porque pode ser que sejam produzidas nas mesmas fábricas lá na China.

Aliás, quem acompanha o mercado de instrumentos musicais deve ter notado que de um tempo para cá, as strats baratas oferecidas pelas várias marcas possuem quase todas as características em comum: corpo em basswood, braço em maple, 22 trastes e tarraxas seladas. Estranho não ?...

E já que falamos em basswood, vamos aproveitar para esclarecer o assunto, nos fóruns e comunidades da internet isso gera um discussão interminável, uns dizem que é uma madeira ordinária, outros dizem que é utilizada nas Ibanez, nas Music Man e em guitarras top. A verdade é que o basswood é uma madeira adequada para a construção de corpos de guitarra, conforme os parâmetros da luthieria e é usado em muitos instrumentos top de linha, em especial nos modelos superstrat. Mas madeira não é só um nome. Temos que levar em conta a procedência, a idade, o corte, a secagem, o tratamento e outros fatores. Então é evidente que o basswood de uma guitarra de R$ 300,00 NUNCA vai ser igual ao de uma ao basswood de outra que custa R$ 3.000,00 !

Então, chegamos a conclusão de que nessa faixa de preços a qualidade das marcas (leia-se construção) é muito próxima. O que pode variar (um pouco) é:
  • Qualidade da pintura
  • Trastes
  • Parte elétrica
  • Ferragens
E considerando esses fatores, eu destacaria as seguintes strats:
  • Strat Michael Gm237 - essa guitarra vem com trastes médios e ferragens que parecem ser um pouco melhores do que os das concorrentes. A pintura é bem feita. Os captadores não são grande coisa mas ela vem com um sistema de chaveamento que permite mais combinações. O modelo preto com escudo e ferragens pretas é muito bonito.
  • Strat Cruiser by Crafter ST50 - Essa guitarra possui um corpo em madeira que não é basswood mas não sabemos exatamente qual é. O corpo é muito pesado e a guitarra tem 21 trastes e tarraxas seladas. A qualidade das ferragens e da construção é semelhante a dos modelos dessa faixa mas os captadores são um pouquinho melhores. De todas as strats baratas que eu já toquei, essa foi a que eu mais gostei em termos de sonoridade. Cuidado se for pegar uma, teste antes, já vi algumas nas lojas com problemas.
  • Strat Gianinni GGX - a pintura dessa guitarra é muito bem feita, com várias opções de cores. Gostei da pegada do braço também. Os captadores não são grande coisa, mas têm opção de modelos para configuração SSH e HH.
Mas... e se esses modelos não têm na sua cidade ou você quer alguma outra e tal ? Bem, não deve fazer tanta diferença, afinal, as chinesas são todas iguais  hehe ! Vamos só lembrar a importância de levar a guitarra para um Luthier regular, ok ?


Abraço a todos e até breve !

PS: Ah, e no próximo post uma experiência radical: vou pegar uma guitarra de R$ 300,00 e trocar TUDO, colocando as melhores peças possíveis para compará-la com uma Fender americana !!! O que acontecerá ?? Extreme makeover em breve !

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Como aprender a tocar guitarra ?

Hello newbie people, MadGuitarMan rides again !!!!

Bem, se eu pudesse resumir em uma frase o motivo desse blog existir, eu diria que seria para convencer os iniciantes a se concentrar no aprendizado e esquecer os detalhes sobre equipamentos. No entanto, quase todos os posts dos blog são sobre equipamentos ! Faço isso porque essa é principal preocupação dos iniciantes. Eu não entendo muito bem isso, afinal, comprar equipamentos é coisa que você pode fazer a qualquer momento da vida, já o aprendizado o quanto antes você começar, melhor !

Então, vamos deixar os equipamentos um pouco de lado e conversar um pouco sobre a melhor forma de aprender a tocar guitarra e também desfazer alguns conceitos errôneos que são ventilados nos fóruns e comunidades da internet.

Fazer aulas de guitarra ou ser autodidata ?


No primeiro post desse blog, eu comentei que tocar guitarra não é uma coisa fácil. Pois eu vou contar uma coisa para vocês, eu sou uma daquelas pessoas que nasceu autodidata. Gosto de estudar, pesquisar livros, material de estudos e apostilas. Embora minha área de formação seja engenharia e computação, consegui aprender sozinho muitas outras coisas complexas, como sobre o mercado financeiro e investimentos. Mas fracassei quando tentei aprender a tocar guitarra sozinho. Comprei livros, videoaulas, etc. mas não consegui me sair muito bem. É verdade que hoje, com a internet, youtube e os recursos multimídia, a quantidade e a qualidade do material didático sobre guitarra melhoraram muito mas a minha opinião é não tem a menor comparação entre você aprender com um bom professor ou ficar tentando pegar as coisas sozinho. O motivo disso é que o professor consegue acompanhar o seu progresso, ver exatamente as dificuldades que você está tendo na parte técnica e também consegue esclarecer as suas dúvidas, demonstrando diretamente no instrumento aquilo que você quer saber. Um outro motivo importantíssimo é que você se sente muito mais motivado quando tem um professor e sabe que esse professor vai cobrá-lo na próxima aula do conteúdo ensinado !

Isso não quer dizer que seja impossível você aprender a tocar sozinho, eu mesmo conheço um cara que aprendeu como autodidata e hoje é um excelente guitarrista, conhece muito de teoria musical. Mas ele mesmo reconhece que se tivesse aprendido com professores estaria muito mais a frente. Um problema sério é que aulas de guitarras são caras e o dinheiro anda curto para todo mundo. Porém, é um investimento que vale a pena. Faz sentido algumas pessoas acharem uma guitarra de R$ 800,00 barata e uma aula de guitarra de R$ 80,00 cara ? 

E você não precisa ficar eternamente fazendo aulas, se você fizer aulas uma vez por semana durante uns 6 meses (claro que varia de aluno para aluno) com um bom professor, ele pode perfeitamente passar os principais conceitos de teoria e técnica que um guitarrista precisa, a partir daí, você pode seguir sozinho ou mesmo voltar às aulas após uns anos, quando sentir necessidade de mais informação.

Então, meu conselho é que você faça aulas, seja em uma escola de música ou com um professor particular. Se isso não for possível, por faltar grana ou então por não ter um professor de guitarra na sua cidade, então consiga o melhor material didático que puder e busque a orientação de algum amigo que já toque. Não vai ser isso que vai impedir você de aprender a tocar, certo ??



Vale a pena aprender teoria musical ?


A gente lê nos fóruns de guitarras que Jimi Hendrix era autodidata, que Eric Clapton não sabe nada de teoria musical, que os mestres dos Blues eram completos "analfabetos" musicais e por aí vai. Que o importante é o "feeling", o "sentimento", que "tá tudo nos dedos", e tal e tal. As coisas não são bem assim. Não é que esses gênios não tiveram educação musical, o que eles não tiveram foi uma educação formal. Isso quer dizer que eles aprenderam (e aprenderam muito !) na estrada com outros músicos, em geral, os pianistas e instrumentistas de sopro das bandas costumam ter bom conhecimento de teoria e acabam atuando como professores de música dos colegas que não sabem. E também não é verdade que músicos de Blues são apenas intuitivos. T. Bone Walker veio de uma família de músicos e sabia sim ler partituras muito bem. B.B. King declarou em uma entrevista à GP americana que sabia ler música. Quando você escuta as composições do Jimi Hendrix e vê o sofisticado trabalho de acordes que ele fazia ou mesmo identifica algumas intenções modais nos solos dele, começa a desconfiar de que ele entendia e muito de harmonia e improvisação.

É muito importante para um guitarrista entender os princípios básicos dos intervalos, montagem de acordes, campo harmônico e regras de harmonia. Sem esse conhecimento, você será um mero "decorador" de shapes de acordes, não será capaz de fazer substituições, inversões ou de reharmonizar um trecho musical. Talvez, se você permanecer um daqueles roqueiros que só sabem tocar "power chords" para sempre, não sinta tanta falta desse conhecimento, mas, e se você precisar tocar alguma coisa de MPB ou mesmo jazz, como fará ? Um bom professor poderá ensinar esse conteúdo para você em algumas aulas e você vai levar esse conhecimento para o resto da vida !

Da mesma maneira, todo músico deveria conhecer os conceitos básicos de improvisação musical, entender a aplicação da escala maior e seus modos, conhecer as escalas pentatônicas mais usuais, montagem de frases, etc. Também é um conteúdo que pode ser facilmente aprendido, se você tiver um bom professor. O segredo do braço da guitarra é revelado nesse estudo. Uma coisa que eu ficava admirado era como os guitarristas de jazz eram capazes de improvisar em qualquer região do braço, já os roqueiros ficavam presos ao shape das pentas. Quando aprendi a visualizar os modos da escala maior ao longo do braço, ficou mais fácil tocar fora dos shapes manjados.

Então, concluindo, vale MUITO a pena você estudar pelo menos o básico de teoria musical, isso vai abrir um mundo novo de possibilidades para você !



Vale a pena aprender a ler música ?


Já ouvi guitarrista dizer que não vale a pena aprender a ler música porque na guitarra, ao contrário do piano, por exemplo, uma mesma nota pode ser tocada em mais de uma corda. Embora seja verdade, acho um argumento pobre. A maior vantagem de entender a notação musical é que a maneira como a música é escrita diz bastante sobre como ela "funciona" e a sua estrutura. Você passa a ter uma visão melhor do que está acontecendo naquele trecho musical. Um outro aspecto é que a escrita musical traz a percepção e a compreensão dos ritmos das frases. Na verdade, é bem difícil fazer o estudo de um solo sem ter a partitura ou uma tablatura onde o ritmo das frases esteja escrito. Assim, se você conseguir ler o ritmo, poderá estudar as frases bem devagar com um metrônomo e depois ir aumentando aos poucos a velocidade. Caso contrário, dependerá do ouvido para percepção dos ritmos, coisa nem sempre muito fácil...

É muito importante entender a divisão rítmica das frases, então, já que vamos ter que aprender a ler esses ritmos (nem que seja nas tablaturas !), porque não nos esforçarmos mais um pouquinho e também aprender a ler a altura das notas e as outras notações ?! Ou você quer passar o resto da vida como aquele metaleiro que só toca tudo em semicolcheias ou sextinas ?!


Entendido ??!! É isso, então vamos estudar já, abç a todos !





quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Receita Federal apreende guitarras falsificadas nos Correios

Pessoal, é o tal negócio, o crime não compensa, tem muita gente comprando esses instrumentos em sites chineses, ou pior, pagando os picaretas que as anunciam no ML sem ao menos ter a guitarra. Agora vão ficar no prejuízo, aliás, ficariam no prejuízo de qualquer maneira, já que essas guitarras não prestam.


http://acoesdareceita.receita.fazenda.gov.br/posts/2013/8/sp-receita-apreende-guitarras-de-marcas-famosas-nos-correios



SP: Receita apreende guitarras de marcas famosas nos Correios

As 88 Guitarras de marcas conhecidas, provenientes da China, estão retidas na sede dos Correios em São Paulo, com fortes indícios de falsificação. As mercadorias eram destinadas a diversas pessoas físicas.
Do total de guitarras retidas, 22 já apresentam o laudo de falsificação enquanto o restante aguarda o laudo do representante da marca, mas há grandes indícios de também serem falsificadas.
guitarras
guitarras

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Um acessório para fazer música !

Olá !!!

Nós, guitarristas, adoramos comprar coisas caras como instrumentos, pedais e amplificadores para "melhorar o nosso timbre". No final, gastamos MUITO dinheiro com isso e fica a pergunta, até que ponto essas compras nos tornam músicos melhores ou melhor dizendo, até que ponto melhoram a nossa música ?

Pois bem, vou mostrar aqui um pequeno acessório, bem baratinho e que realmente pode melhorar a nossa música, pois abre possibilidades quase infinitas para arranjos e composições. Todos conhecem o acessório conhecido como "braçadeira", "capo" ou "capotraste". É uma espécie de grampo que se prende em alguma casa do braço da guitarra para forçar uma "pestana" naquela casa, geralmente quem usa são cantores para subir ou descer o tom da música para uma tonalidade em que se sintam mais a vontade para cantar.

Nunca senti necessidade de usar isso, até porque (infelizmente) não canto, apenas toco e se precisar mexer no tom da música, sei como fazer sem usar o capo, rsrs !

Mas lançaram um "capo" muito mais evoluído, que permite escolher qual ou quais cordas vão ficar presas e quais vão ficar soltas ! Vejam a foto dele:



O interessante desse capo é que você pode colocá-lo em qualquer posição e tocar na frente ou mesmo atrás dele ! Se você pensar então que pode usar dois ou três ao mesmo tempo, as possibilidade são quase infinitas para pesquisar afinações alternativas, novas progressões, etc.  Enorme utilidade para quem gosta de composições instrumentais no violão ou até para uma banda "indie" que pesquisa novas sonoridades !


O site DX vende por cerca de 12,80 dólares, com o frete incluso !

http://dx.com/p/flanger-fa-20-guitar-flexi-capo-93071

Para quem não entendeu ainda como funciona, vamos ver uns vídeos ?







É isso, abraços !

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Como retirar um botão (knob) da guitarra sem quebrar !

Hi newbies !!!

Esse mico todo guitarrista já passou quando era iniciante, kkkkk ! Vejam só, por algum motivo ou mesmo por curiosidade, você resolveu retirar um botão de volume ou tonalidade da sua guitarra. Primeiro você tenta arrancar o knob com a mão, fazendo força mas o danado não sai de jeito nenhum ! Aí vem aquela ideia brilhante: "vou pegar uma chave de fenda, enfiar por baixo e retirar o knob !" ou então "vou pegar um alicate e puxar"... NÃO FAÇA ISSO JAMAIS !!! Se o knob for tipo rígido, como costumam ser os que vêm nas Les Pauls, ele quebra na hora ! Você vai ficar impressionado o tão rápido que esse knob vai quebrar ! Se for um knob de stratocaster, talvez até não quebre mas vai deformar e provavelmente também não sairá dessa maneira, você pode ainda marcar a pintura ou coisa pior...

Bem, como se faz então ? O jeito certo é pegar uma flanela macia, envolver o knob e então puxá-lo, ele deve sair com facilidade, mas puxe com delicadeza. Verifique antes se o knob tem algum parafuso lateral de afrouxamento, não é muito comum mas têm knobs assim.

Não vou me dar ao trabalho de explicar muito porque achei um vídeo onde um gringo explica direitinho como fazer isso (positivem o vídeo do cara !):




Muito bem, agora você sabe como fazer ! Mas olha só, se para tirar um simples knob já é complicado, imagina os problemas que podem acontecer se você retirar o escudo ou abrir a guitarra sem saber exatamente o que está fazendo. Não seria melhor deixar a curiosidade de lado por enquanto ou então levar a guitarra em um Luthier ?!

Abraços !

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Fender Modern Player, a Fender "chinesa" que não é falsa !

Olá amigos,

Os que acompanham minhas postagens há algum tempo sabem que o Blog tem especial atenção em esclarecer informações errôneas que circulam na internet, já publiquei posts que tratam de falsificações de marcas famosas e análises sobre instrumentos asiáticos.

Com a globalização, praticamente todos os fabricantes famosos de instrumentos musicais passaram a comercializar linhas de instrumentos produzidos na China. Alguns mantiveram a sua denominação original, criando apenas linhas diferenciadas para estes instrumentos mais baratos, como a PRS, Brian Moore, G&L, Ibanez e outros. Já a Gibson optou por produzir na asia apenas a sua segunda linha (Epiphone), nesse caso, pelo menos até o momento, qualquer "Gibson" chinesa é falsa.

No caso da Fender e aqui estou falando apenas de Fender mesmo e não de Squier, existe uma ligação antiga com o oriente através das linhas Fenders fabricadas no Japão, mas até a alguns anos não existiam Fenders fabricadas na China, Coreia, Indonésia, etc.


Fender Lite Ash

Mas por volta de 2004, a Fender lançou uma linha de guitarras chamadas "Lite Ash", basicamente um modelo Strat e uma Tele com corpo em ash com acabamento natural, braço em maple figurado e com marcações em abalone e captação Seymour Duncan. Esses belos instrumentos eram fabricados na Coreia, conforme muitas informações em fóruns internacionais, eram provenientes da Cortek, a indústria que fabrica as guitarras Cort mas nunca li uma confirmação oficial dessa informação.

Fender Lite Ash




Fender Modern Player

Mais recentemente, a Fender se rendeu e lançou uma linha completa com guitarras e baixos produzida na China chamada "Modern Player". Vamos ver as informações no site da Fender:

https://www.fender.com/series/modern-player/

Temos então uma descrição detalhada dos instrumentos no próprio site oficial da Fender, não há o que se discutir, portanto, quanto a existência dos mesmos, resta apenas analisar se são bons instrumentos e estão a altura da qualidade que podemos esperar de um instrumento com o logo Fender no headstock.

Infelizmente, nós, guitarristas, somos prisioneiros de conceitos equivocados, o que nos leva a delírios como supor que só as coisas antigas são boas, só o made in USA presta, coisa "vintage" (seja lá o que isso signifique !) é que é boa, etc, etc.

O fato é que as guitarras desta série têm o preço de tabela em torno de $600 (US$). Estranhamente, poucas lojas no Brasil estão disponibilizando essa linha, existe um vendedor com boas qualificações no ML que está vendendo o modelo Stratocaster por cerca de R$ 1.600,00. Ora, com essa grana o que podemos comprar de bom ? A melhor escolha seria, no meu entender uma Squier Classic Vibe, que é vendida inclusive um pouco mais cara.

Nesse caso, se a guitarra realmente tiver uma qualidade que seja compatível com as Fenders mexicanas, o custo/benefício estará muito bom, certo ?

Infelizmente não consegui ainda estar com uma Modern Player em mãos para testar mas o nosso querido amigo Mauricio Bahia, feliz e satisfeitíssimo proprietário de uma Modern Player Stratocaster fez fotos de grande qualidade da guitarra, as quais aqui publico com a sua autorização !

Vamos começar a analisar essas fotos:

Nessa primeira sequencia, destaco os trastes médios, os saddles com a inscrição "Fender", a inscrição "Crafted in China" e o serial iniciado com "CGF":



Mais detalhes do headstock com tarraxas vintage e o excelente acabamento do verniz


Notem que a ponte já tem o "big block" !



Finalizando, vamos ver um vídeo com a revier da Strat:




A conclusão é que essa Stratocaster é um instrumento que combina características vintage (tarraxas, ponte) e modernas (braço com 22 casas, trastes e humbucker na ponte). Se formos comparar com a Squier Classic Vibe, parece que as duas têm o mesmo padrão de qualidade, a Classic Vibe já vem com captadores em alnico, os da Modern Player são cerâmicos mas com toda a certeza o nome "Fender" no headstock da Modern Player vai garantir maior valor de revenda da mesma !

Então, pelos menos por enquanto, é o que podemos afirmar é que a guitarra parece excelente, mas isso é apenas uma suposição pelo exame das fotos. Assim que conseguir uma para testar, coloco um review completo da guitarra, abraço a todos !

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Meninas que tocam guitarra !

Então, pelas mensagens que eu recebo, dá para ver que 95% da frequência do blog é masculina, aliás, muitos ainda pensam que guitarra é coisa para macho, rs... Nada mais falso, alguns dos melhores vídeos do YouTube mostram que as mulheres têm musicalidade, pegada e atitude de sobra quando se fala nas 6 cordas ! Vamos ver alguns vídeos ?

Eric Johnson ? John Mayer ? Não, é a Lari Basílio !




Adriana Simioni, música fantástica, técnica impecável !




O famoso vídeo da coreaninha Su, a Funky Guitar girl !




Outra coreaninha, belo timbre de Strat, linda interpretação da música do Larry Carlton !




Jess Lewis, 16 anos e tocando desse jeito...




E chega né ?! Se posto mais já é humilhação, abç a todos !

domingo, 23 de junho de 2013

Vale a pena comprar um amplificador valvulado ? - Amplificadores (IV)

Olá !

No post anterior, aprendemos os fatos básicos sobre válvulas, transistores e como funcionam os diversos estágios de um amplificador de guitarras.

Vamos juntar agora o que aprendemos para tirar algumas conclusões importantes na hora de escolhermos nosso amplificador.

Antes porém, vamos falar da simulação digital, que é um desenvolvimento tecnológico recente e está sendo cada vez mais incorporado nos amplificadores de guitarra, até mesmo pelos fabricantes mais tradicionais.

Simulação Digital de Amplificadores


Já sabemos que os modelos valvulados criaram as referências sonoras que moldaram o som do Rock e do Blues aprendemos a amar. Mas  estas "sonoridades", nada mais são do que parâmetros sonoros que dependem de tudo o que falamos anteriormente mais outras variáveis, como posicionamento dos microfones e construção da caixa de som. Através de análises matemáticas sofisticadas, os engenheiros conseguem decompor essas referências sonoras em parâmetros e dados, permitindo que algorítimos computacionais (programas) reconstituam a sonoridade original de um determinado amplificador.

Então, a simulação digital nada mais é do que o uso de algorítimos de simulação sonora em computadores para simular o som de um equipamento real. Esses programas podem rodar no nosso computador pessoal, são os chamados "plugins", como o GuitarRig e o Amplitube, podem rodar em um equipamento específico como é o caso do V-Amp e do Pod, podem rodar dentro de pedais e pedaleiras (nesse caso, os algorítimos são utilizados para gerar os efeitos e simular pedais mas as pedaleiras com mais recursos também simulam amplificadores), e, cada vez mais comum, os recursos de simulação já vêm embutidos nos próprios amplificadores, que, nesse caso, costumam ser conhecidos como "híbridos".

Uma pergunta comum: "mas isso funciona, o som gerado é igual ao de um valvulado ?"

Olhe, quem acompanha a evolução destes programas já há alguns anos sabem o tanto que eles melhoram a cada novo lançamento, hoje eu diria que estão muito próximos de suas referências e sua praticidade faz com que sejam cada vez mais utilizados não só em shows mas também em gravações profissionais.


Como escolher um Amplificador de Guitarra



Duas coisas vão determinar essa escolha: a sua disponibilidade financeira e o uso que você vai fazer do amplificador, o que envolve naturalmente o tipo de música que quer tocar.

Usando o computador como Amplificador de Guitarra !


Uma dica é que se você não tem muito dinheiro disponível, ao invés de comprar um amplificador pequeno e ruim, talvez seja bem mais interessante comprar uma interface tipo "GuitarLink" e tocar "plugado" no seu computador ou notebook. Como isso funciona ? Essas interfaces permitem que você ligue a guitarra em uma porta USB do seu computador e, através do uso de programas tipo GuitarRig e Amplitube simule o som de um amplificador de verdade, sendo que o som da guitarra vai sair nas caixas ou nos fones. Se você tiver caixas de boa qualidade vai conseguir um som excelente, e melhor, vai aprender a usar uma quantidade infinita de timbres e efeitos ! Na verdade, é possível fazer isso mesmo sem a interface USB, plugando a guitarra na entrada de microfone do computador usando um adaptador de plugues mas, nesse caso, o resultado final vai depender da qualidade da sua placa de som. Como uma interface USB custa menos de R$ 100,00, recomendo comprar uma.



Comprando o primeiro Amplificador de Guitarra !


Mas o ideal mesmo é comprar um amplificador, saiba que a partir do momento em que fizer isso pela primeira vez sua vida nunca mais será a mesma, rsrs, porque o karma de nós, guitarristas é viver uma relação de amor e ódio eterna com essas "caixinhas" !

O primeiro amplificador tem a função de ser usado como aprendizado mas o que acontece é que, após 6 meses ou um ano de aprendizado, você vai querer tocar em ensaios com seus amigos ou mesmo tocar em pequenos shows. Se seu amplificador for muito pequeno, não vai rolar. Melhor então comprar um amplificador que atenda a essas necessidades, certo ?

Tamanho do Auto-Falante


A primeira coisa que você deve olhar é o tamanho do falante. O ideal para um guitarrista é um "combo" (equipamento em que a caixa de som e o amplificador já vêm integrados em um mesmo gabinete ) com um auto-falante de 12". Esse único auto-falante será capaz de uma projeção sonora bastante satisfatória. No entanto, um amplificador assim pesa em torno de 20 kg. Parece leve mas não é. O peso depende muito do tamanho do auto-falante, então, caso queira um equipamento mais leve, pode comprar um com auto-falante de 10", se o equipamento for de boa qualidade ainda assim você conseguirá um bom som, mas sem a mesma projeção de um falante de 12". Não recomendo comprar amplificadores com auto-falante abaixo de 8".

Recursos embutidos do Amplificador


Quando começamos a tocar as despesas são muito altas. Temos que comprar a guitarra e pagar as aulas, que são caríssimas. Então, para evitar despesas tendo que comprar também uma pedaleira ou vários pedais, seria interessante que o nosso primeiro amplificador já incorporasse os efeitos mais importantes. Em outras palavras, que tenha recursos suficientes para precisamos apenas do amplificador e da guitarra para tocar. Assim, quando formos comprar um amplificador é importante observar os recursos que ele oferece, seria bastante desejável que ele tivesse dois canais separados um para o som "clean" e outro para o som com "drive" (distorção). É claro que a qualidade do "drive" gerado será um dos fatores determinantes de escolha. Além disso, procure um amplificador que tenha pelo menos os recursos de  "reverb" ou "delay", mesmo que esses efeitos sejam gerados digitalmente. Não precisa oferecer os dois, basta um para "molhar" o som ! Como você vai utilizar o equipamento para tocar em casa, é importante também que tenha a saída para fones de ouvido.




Potência do Amplificador



Dentro do conceito anterior de que o amplificador deve servir para o aprendizado, ensaio e pequenos shows, recomendo comprar um em torno de 50W de potência, caso seja transistorizado. Um detalhe é que os amplificadores valvulados, devido a maneira como trabalham as válvulas, possuem uma outra referência em termos de potência. Quero dizer que se você comprar um valvulado de 50W, possivelmente ou ficar surdo ou vai ser expulso do prédio se tocar no volume 2 desse amplificador ! As razões dessa discrepância são várias e ficaria muito extenso explicar isso em um blog para inciantes mas têm vários artigos interessantes na internet, é só pesquisar que acha. Então, caso compre um amplificador valvulado, pense alguma coisa em torno de 15W, que já não são pouca coisa em termos de valvulados.


Mas afinal, vale a pena comprar um amplificador valvulado ?


No post anterior comecei falando da minha fascinação pelas válvulas desde pequeno e reconhecendo a superioridade sonora dos amplificadores valvulados. Tive muitos valvulados e até cheguei a construir alguns. Mas hoje toco ao vivo usando apenas amplificadores transistorizados, com exceção de um pequeno valvulado Fender SuperChamp XD que eu uso para tocar em casa ou em shows em ambientes bem pequenos. O que aconteceu ? O meu problema com os valvulados é a confiabilidade deles. Tive alguns problemas, poucos mas chatos, com valvulados pifando no meio do show. Quando você transporta um equipamento valvulado existe o risco de que a trepidação gere algum problema com as válvulas ou seus soquetes. Valvulados trabalham em temperaturas altas e essa variação de calor às vezes traz problemas. Existe ainda uma questão atroz que são os problemas com a rede elétrica do local onde você vai tocar, se ela não estiver 100% (e geralmente nunca está !) os valvulados podem não gostar... E por fim, não sei explicar bem o por que mas os valvulados são "temperamentais", em uma noite o som está maravilhoso, em outra a mágica não acontece...

Sou ruim para lidar com esses aspectos, quero apenas ligar o amplificador e ter certeza que ela vai funcionar do jeito que eu espero para que eu possa tocar tranquilamente!

A verdade é que os valvulados dão muito mais problemas do que os amplificadores solid state, a manutenção é bastante cara, então, só recomendo a um iniciante comprar um amplificador valvulado se:
  • Se tiver na sua cidade assistência técnica ou um bom técnico de manutenção de valvulados
  • Caso você tenha pelo menos conhecimentos básicos de eletrônica que te permitam, por exemplo, trocar uma válvula você mesmo com segurança sem ser eletrocutado (não se esqueça que valvulados trabalham com tensão alta, em torno de 400V, possivelmente mortal e perigosa)  !

Por fim, vamos lembrar também que grandes guitarristas de vários estilos não usam valvulados e conseguem timbres fantásticos com equipamentos solid state. Lembro aqui do mestre B.B. King e do saudoso Pantera Dimebag Darrel.

Mas não se preocupe, se não for dessa vez que você vai comprar seu valvulado, um dia você terá um, aliás, terá vários, kkkk !

Abraços e até a próxima !