quinta-feira, 17 de julho de 2014

Morre o guitarrista Johnny Winter, aos 70 anos




http://oglobo.globo.com/cultura/musica/morre-guitarrista-johnny-winter-aos-70-anos-13284680


Um dia profundamente triste para mim, sinto como se tivesse perdido uma pessoa da minha própria família, Johnny Winter é o meu guitarrista preferido e a minha razão maior para tocar guitarra, acompanho sua carreira desde os anos 70, conheço cada nota que esse músico extraordinário tocou, nunca vai existir outro Johnny Winter, esse foi o maior guitarrista de Blues de todos os tempos, um incrível virtuoso que dominava o Blues, o Country e o Rock'n Roll com perfeição.

Infelizmente, após os anos 80, a, saúde do Johnny foi ficando muito debilitada devido a uma vida de excessos e sua música se ressentiu bastante disso mas os grandes discos que ele gravou nos anos 70 ficam como um legado desse gênio.



Há poucos anos atrás tive a felicidade de assistir a um show do Mestre, já bastante debilitado, mas, quando ele pegava a sua Gibson Firebird e colocava o slide em seu dedo mínimo,  aí se escutava aquele som magnífico de guitarra que nunca mais ninguém conseguirá tirar.



Vai meu Mestre, descanse finalmente em paz após uma vida tão brilhante quanto sofrida, nunca poderei te agradecer por tudo que o fez por mim, enquanto eu for vivo jamais me esquecerei um dia sequer de você e enquanto eu puder tocar uma guitarra, um pouquinho da sua música estará viva comigo, até a vista meu querido amigo !!!


sábado, 12 de julho de 2014

Análise de estilo: Cornell Dupree !

Cornell Dupree (1942 - 2011) foi um veterano que marcou a história do Rhythm and Blues americano, tendo participado de centenas de gravações e apresentações históricas e influenciado gerações de guitarristas que adotaram a música negra americana como a base do seu estilo.



Seu início foi batalhando no lendário chitlin'n circuit, acompanhando os grandes nomes da música negra em ascensão, olha, você tinha que ser muito bom para conseguir um emprego ali, no caso de Cornell Dupree quem costuma disputar a vaga de guitarrista com ele era o próprio Jimi Hendrix, na época ainda um desconhecido, já imaginou ?!! Mas vez por outra, acontecia de Cornell Dupree e Hendrix integrarem a mesma banda, onde botavam para quebrar, vejam !


Em tantos anos atuando como sideman, Cornell Dupree desenvolveu um estilo único que mistura o soul, blues, jazz, R&B, funky, rock'n roll, enfim uma síntese completa da música negra americana.

A sua maneira de tocar enfatiza os riffs rítmicos construídos em cima acordes, intervalos, double stops e oitavas, intercalando solos curtos com frases sempre muito melódicas ainda que permeada de cromatismos, o que confere um sabor "jazzy" nos seus improvisos. O uso frequente de frases com intenção maior às vezes lembra o fraseado característico do B.B. King. Impressionante também é a noção de tempo e ritmo desse cara. Chama a atenção ainda a maneira como ele ataca as cordas com os dedos, um modo de tocar mais encontrado na country music.

Percebam também como ele toca sempre em um contexto perfeitamente integrado à banda, mesmo quando é o dono da apresentação ele nunca tenta se sobressair mais do que os outros músicos, está aí uma coisa que todos os guitarristas deveriam aprender, a guitarra tem um papel definido dentro de uma banda e esse papel é na maioria das vezes mais rítmico do que tudo, tem guitarrista que acha que tem que solar alto e o tempo todo, um erro que nos dá a fama de malas entre os outros instrumentistas, e o que Cornell Dupree nos ensina é tocar para a banda !

Aqui, uma ótima lição para tocar como Cornell Dupree !

Então vamos assistir essa grande apresentação de Cornell Dupree gravada em Nova York, onde ainda toca o extraordinário baixista Will Lee e uma banda de feras !




PS: quem quiser assistir o momento mais quente do show clique no link abaixo, uma incrível versão do clássico "Signed, sealed & delivered" em que eles misturam com "Lady Madona" dos Beatles, coisa para acordar os mortos !



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Upgrade inteligente em uma SX FST62/SST62 das antigas !

Hi newbies  !

Nos post de hoje vamos estudar mais um pouco sobre como fazer upgrades em guitarras gastando pouco e obtendo o máximo de um instrumento barato. Se você não sabe bem o que é um upgrade ou quer aprender um pouco mais sobre o assunto, leia os posts anteriores que eu escrevi sobre o assunto clicando nos links abaixo:

http://inicianteguitarra.blogspot.com/2012/12/como-fazer-upgrades-em-guitarras.html
http://inicianteguitarra.blogspot.com/2013/10/extreme-makeover-upgrade-radical-em-uma.html

A guitarra


Muito bem, a guitarra escolhida dessa vez é uma Shelter SX FST62, escolhida por ser uma strat com boas madeiras e acabamento muito bem feito, conheço bem essas guitarra e sei que os resultados de upgrades nela costumam ser muitos bons, aliás, escrevi um post bem completo sobre as strats da linha SX, se você quiser saber mais detalhes sobre essa guitarra, clique no link abaixo:

http://inicianteguitarra.blogspot.com.br/2012/11/review-sx-sst62-shelter-saiba-historia.html

A guitarra é essa belezinha aqui:

Shelter SX FST62

Foi comprada por R$ 600,00, usada no Mercado Livre. Notem que é uma SX mais antiga, ainda com o headstock no padrâo Fender, acredito que deva ter sido feita lá por 2004. Com esse dinheiro eu poderia ter comprado uma nova mas, embora não ligue muito para questão do formato do headstock, prefiro comprar guitarras usadas mais antigas que já estão com o madeiramento mais seco e estabilizado. E essa estava completamente original e em excelente estado !

Apesar disso, fica o alerta, nunca paguem preços absurdos em instrumentos usados quando o vendedor vem com aquela conversa fiada de que é uma "das primeiras", "das antigas", "das boas", vejo picaretas vendendo guitarras iguais a essa por um preço absurdo, olho vivo !


O planejamento do upgrade

Dito isso, vamos ver a melhor forma de melhorar essa guitarra sem gastar muito. Se você leu meus posts anteriores, sabe que eu recomendo jamais gastar mais do que o preço da guitarra em upgrades mas eu pretendo gastar bem menos que isso !

Os pontos mais fracos dessa guitarra são a ponte e os captadores, embora os captadores cerâmicos originais sejam bem superiores aos que costumamos ver em guitarras asiáticas. Na verdade, são captadores cerâmicos de boa qualidade, podem ser tranquilamente usados para tocar em casa, em ensaios e até em shows, seguram muito bem a onda em qualquer situação.

Mas sou um strateiro que aprecia muito o som dos captadores singles com imãs de alnico, vou, portanto, substituir os captadores.

A questão da ponte é um pouco mais complicada. A ponte dessa guitarra deixa muito a desejar. Infelizmente, substituí-la por outra é um pouco complicado porque a original não segue exatamente os padrões mais usuais na distância entre os parafusos. Na verdade, mesmo que a distância não seja exatamente a mesma, pode ser colocada uma nova ponte, o truque é colocar primeiro os dois parafusos das cordas do centro (os parafusos correspondentes às cordas ré e sol) e forçar um pouco os outros parafusos para que entrem. Mas isso tem um efeito colateral, dificilmente uma ponte que foi parafusada com os parafusos sendo forçados vai voltar exatamente a posição original depois de uma alavancada. E uma ponte que não volta a posição original não serve para nada !

Existe um outro problema mais chato nessa questão da ponte. Penso que só faz sentido trocar a ponte dessas guitarras mais econômicas se for para colocar uma ponte com o chamado "big block", que melhora bastante a entonação e desempenho da ponte. Não vou me dar ao trabalho de explicar esses detalhes porque o super Paulo May já escreveu uma matéria excelente em seu blog, não deixem de ler:



Mas... Acontece que a cavidade dessas FST62 têm um degrau de madeira que impede a colocação de uma ponte com bloco maior. Possível é mas aí teria que recortar a cavidade com uma tupia e eu não tenho essa ferramenta. Vejam o degrau na madeira, bem atrás do bloco de metal:

cavidade da ponte


Bom, nesse caso, prefiro não utilizar a ponte, vou apenas travá-la. Para não dizer que não fiz nada na ponte, vou trocar os carrinhos (saddles) por outros de aço da GFS, melhora um pouco a entonação (dizem...) mas o motivo maior é estético mesmo, acho muito feio os saddles originais !

Assim, o upgrade da guitarra consistirá no seguinte:

a) trocar os abaixadores das cordas por abaixadores tipo "roller". Por que, já que a ponte não será utilizada ? Porque acho que os abaixadores roller atenuam um pouco a desafinação quando fazemos uma bend um pouco mais forte. Claro que outros fatores influem, como o ajuste da nut. Além disso, são tão baratos que vale a pena trocá-los. O abaixadores escolhidos são esses aqui:

http://www.eyguitarmusic.com/Strat-String-Tree-Retainer-Roller-style-body-custom-Chrome_p_523.html

b) trocar os saddles originais por outros de aço conforme explicado anteriormente. Os escolhidos foram estes aqui:

http://www.guitarfetish.com/Upgrade-Stainless-Steel-Saddles-Fits-Trems-Set-of-Six_p_773.html

c) trocar os captadores por singles em alnico. Então, já expliquei que a troca será feita apenas porque gosto mais do som dos singles em alnico. Agora, vamos raciocinar juntos: um jogo de singles originais Fender, Seymour Duncan ou outra marca de primeira linha custa mais de R$ 500,00. Existem bons captadores nacionais mas também não são tão baratos assim, vão custar em torno de uns R$ 300,00 o set. Durante muito tempo, o site da Guitar Fetish (GFS) foi uma boa opção para quem procurava captadores com um bom custo/benefício, mas, com a subida do dólar (obrigado Dilma !) não estão mais tão acessíveis assim....

Nesse contexto, andei pesquisando opções realmente baratas em sites chineses. Encomendei dois sets de singles em alnico e aprovei os dois, consegui um ótimo timbre com eles, são esses aqui:

http://www.eyguitarmusic.com/Powered-by-LACE-pickup1-Set-of-Single-OpenFlat-topAlnico-VCream-Pickup-Cover_p_357.html

http://www.eyguitarmusic.com/Strat-Guitar-Pickup-WhiteSingle-Coil-pickupAlnico-VNeckMiddleBridge_p_1146.html

O primeiro set, Powered by Lace, puxa um pouco mais para o som vintage, achei muito bonito o timbre. O segundo set soa mais forte, mais puxado para os médios. São duas boas opções para upgrades em guitarras asiáticas. A qualidade da construção é boa nos dois sets. Agora pasmem, esses bons singles custam 24 e 27 dólares, respectivamente (mais o frete, é claro) os três captadores, menos de 10 dólares por captador !

É muito barato ! São tão bons quanto captadores de primeira linha ? Não, não são. Mas a diferença vai estar mais nas nuances dos timbres e no equilíbrio do set, coisa que só fica evidente quando você tem um excelente amplificador valvulado, bons pedais, cabos, etc  e bastante experiência com captadores. Assim, considero esses captadores a melhor escolha para um upgrade em um instrumento value !

d) troca da switch dos captadores. Não gosto dessas chavinhas genéricas chinesas, duram pouco e já me deixaram na mão. Existe um modelo um pouco mais caro mas com qualidade bem próxima as originais da fender:

http://www.eyguitarmusic.com/5-Way-Level-Switch-w-ScrewsFor-your-Wire-CustomQ025_p_585.html

e) blindagem da guitarra. Se você é leitor do Blog sabe que os singles captam ruídos espúrios, em especial aquele desagradável "hum' gerado pela indução da corrente alternada de 60hz oriunda da rede elétrica. A melhor forma de atenuar esse problema é fazer uma blindagem. Funciona ? Funciona, ainda que não resolva 100% do problema, porém, tem que ser feita com técnica correta pois não basta blindar, tem que saber com conectar a blindagem à parte elétrica da guitarra.

Aqui uma dica: Já blindei dezenas de guitarras, usando desde folhas de cobre, fita adesiva de alumínio, tinta condutiva e outras coisas. Na teoria, o cobre deveria funcionar melhor porque é um material que possui menor resistividade. Porém, na prática, os resultados são bem semelhantes, muito próximos mesmo. Acredite quem quiser ! Assim, tenho usado mesmo é a blindagem com a tinta condutiva pois é bem mais fácil fazer o trabalho com este método.

quem quiser aprender como blindar uma stratocaster da maneira correta, recomendo estudar o texto abaixo:

http://www.guitarnuts.com/wiring/shielding/shield3.php

f) nivelamento de trastes, cordas novas e regulagem: A guitarra precisava de um nivelamento de trastes, quase sempre é necessário fazer, principalmente em instrumentos novos.


E é só ! Embora as tarraxas não sejam das melhores não vou trocá-las, se você acompanha o blog já sabe que o problema maior não costuma ser as tarraxas em si mas sim colocar as cordas de maneira errada e isso eu não faço, hehe !

Quanto vou gastar ? Bem O material acima mais o frete sai por volta de R$ 150,00. O trabalho de luthieria (trocar as peças, blindar e regular a guitarra) eu mesmo vou fazer, acredito que um Luthier cobraria algo em torno de uns R$ 250,00 para fazer esse trabalho. Assim, o custo total desse upgrade, se considerarmos o custo do Luthier  ficaria em torno de R$ 400,00, bem menos que o preço da guitarra

Vamos ver então algumas fotos do trabalho com essa guitarra?


Corpo da SX FST¨62
Notem o que o corpo da guitarra é escavado para a configuração SSS, não tem espaço para um humbucker de tamanho normal na ponte, pode ser instalado caso um Luthier aumente a cavidade.


Corpo sendo protegido com fita crepe para a blindagem com tinta condutiva

Cavidade já blindada, sendo conferida com um multímetro


Saddles de aço instalados


Headstock com abaixadores tipo roller instalados



Ponte travada
Aqui mais uma dica: a maneira mais correta de travar a ponte seria confeccionar um pequeno bloco de madeira na medida certa pra encaixar na cavidade e impedir a ponte de movimentar. Porém, costumo usar outro método, instalo todas as 5 molas e aperto os parafusos ao máximo. Faço isso porque acredito que as molas da ponte da stratcaster formam uma espécie de "reverb mecânico", que é um dos fatores que dá o som característico deste modelo !


É isso, o resultado do upgrade foi excelente mesmo sem gastar muito, assim que eu puder gravo uns sons com essa guitarra e posto aqui, abraços a todos, qualquer dúvida é só perguntar nos comentários !



domingo, 8 de junho de 2014

Pedais ou pedaleira ? os pedais analógicos (II)

Olá !!!

Como muitos reclamaram, ando sem tempo para atualizar o blog, esse período é um pouco apertado para mim, mas isso não quer dizer que o blog está abandonado, tenho respondido a todas as perguntas enviadas, espero que a partir de agora as coisas se normalizem !

Vamos falar hoje dos pedais analógicos. Se não leu a primeira parte do artigo clique aqui. Seria recomendável também você ler a série de posts sobre amplificadores, pois vários conceitos que foram explicados nela também serão referenciados aqui:

parte I
parte II
parte III
parte IV

Mas vamos lá. Quando falamos em "pedais analógicos" a que estamos nos referindo ? O meu entendimento é de que estamos falando de um circuito eletrônico projetado para trabalhar com sinais analógicos. Um sinal assim se manifesta como uma grandeza analógica, podendo assumir qualquer valor dentro uma determinada faixa, expressando assim um comportamento contínuo. Exatamente como um sinal de áudio se manifesta. É diferente de uma grandeza digital, onde um sinal analógico é convertido para um sistema binário, passando a ser representado então por uma cadeia de  sequências de "0" e "1", para ser processado então por sistemas computacionais.

Os componentes eletrônicos mais utilizados para compor circuitos analógicos são resistores, capacitores e indutores (componentes ditos passivos) e as válvulas, transistores, diodos e circuitos integrados analógicos. Na prática, pouquíssimos pedais analógicos são valvulados.

Você já viu como são esses componentes ?!

Resistores

Capacitores

Transistores


É difícil para quem não entende nada de eletrônica diferenciá-los, não ? 

Mas o fato é que esses componentes eletrônicos, combinados entre si segundo circuitos eletrônicos específicos, vão dar origem a maioria dos pedais analógicos que conhecemos. 

Fica mais fácil se classificarmos os pedais de guitarra segundo suas "famílias", ou seja, de acordo com a natureza da modificação que eles introduzem no sinal de áudio originário da guitarra. Uma classificação mais comum seria a seguinte:
  • Pedais de distorção: overdrive, fuzz, distortion, booster e simulador de amplificadores (estes últimos são mais comuns com pedais digitais mas também existem os analógicos, como o Sansamp Gt2)
  • Pedais de Eco: Delay e Reverb.
  • Pedais de modulação: Chorus, Flanger, Phaser, Vibrato, Rotovibe e outros.
  • Filtros:  Wha-Wha, Envelope.
  • Volume: Compressor, Limiter, Pedal de Volume.
  • Pedais Especiais: Equalizadores, Afinadores, Noise Gate, etc.
Os circuitos eletrônicos dos pedais que fazem parte de uma mesma família apresentam bastante similaridade entre si. Como este não é um blog de eletrônica fica meio complicado entrar no funcionamento destes circuitos, quem quiser saber algum detalhe específico é só perguntar.

A ideia do "pedal de guitarra" (também conhecido como "stompbox") nada mais é do que a construção de uma unidade autônoma para cada efeito. Assim se você quiser uma cadeia de efeitos que inclua um wah-wah, um overdrive e um chorus, muito provavelmente vai ter que comprar três pedais diferentes, embora existam pedais que implemente mais de um efeito mas aí você começa a cair na ideia de "pedaleira", não é mesmo ?

Em que ordem ligar os pedais de guitarra 

Muito bem, se vamos ter várias "unidade autônomas", teremos que interligá-las. A maneira mais comuns de interligar os pedais de guitarra é em série, ou seja, a saída ("output") de um é ligada na entrada ("input") de outro, até que o último da cadeia é ligado na entrada do amplificador.

Parece simples não ? Mas acontece que guitarristas gostam das coisas complicadas, então, a partir de agora o assunto vai complicar...

A primeira dúvida que todo iniciante é em que ordem pedais deveriam ser ligados ? 

Não existe uma unanimidade sobre este assunto, se você pesquisar sobre isso na internet, vai encontrar músicos famosos e desconhecidos fazendo recomendações diferentes... O que fazer então ?!

A minha primeira recomendação é de que os pedais de uma mesma família devem ficar juntos (na sequência) dentro da cadeia de efeitos. Isso faz sentido até porque dificilmente vc usa mais de um pedal da mesma família ao mesmo tempo. Por exemplo, sua pedalboard pode ter um phaser e um chorus mas você provavelmente não vai usá-los ao mesmo tempo. Dessa maneira, com os pedais da mesma família juntos, fica mais fácil até de "achá-los" na hora de pisar nos pedais !

Uma outra dica é que alguns pedais, em especial os pedais de distorção e alguns compressores, agregam ganho no sinal, ou seja, amplificam o sinal em um certo nível. Infelizmente, quando isso acontece, os ruídos também são amplificados juntos, em especial o chamado "hum" dos captadores singles (em geral usados nas stratocasters). Os pedais de distorção também "clipam" o sinal, ou seja, fazem uma espécie de "ceifamento" da forma da onda, em geral isso é feito fazendo o sinal passar por um circuito "clipador" com diodos invertidos em paralelo. A consequência disso é a "distorção do sinal"  e a modificação dos seus harmônicos. Por causa dessas características, recomendo colocar os pedais de distorção no início da cadeia de efeitos (na saída da guitarra), ou, pelo menos, antes dos pedais de modulação. 

Alguns recomendam colocar os pedais de compressão antes dos de distorção, eu acho que isso depende muito dos pedais que você tem mas a ideia é válida.

Já o wha-wha, alguns gostam antes dos pedais de distorção, outros depois. eu prefiro antes.

Em resumo, uma sugestão para você sequenciar os seus pedais seria partir da seguinte ordem para começar a experimentar variações:

Guitarra ->Wah -> Distorções -> Modulações -> Ecos -> Amplificador



True Bypass or not true Bypass ?!

Esta é outra questão que atormenta os guitarristas ! O que é o "bypass" ? Vimos acima que a ideia do pedal de guitarra é a de uma unidade autônoma que implementa apenas um efeito. Evidente que tem que ter o controle de quando o efeito é ligado ou não. E ainda, quando o efeito não estiver ativo, o sinal da guitarra deve continuar passando pela cadeia de efeitos. É claro não ? Senão o som não sai !

Aí é que está !... O que acontece é temos dois sistemas diferentes. O primeiro é conhecido como "True Bypass" e consiste em usar uma chave elétrica que desvie completamente o sinal da guitarra do circuito do efeito quando este estiver inativo. Assim, é como se o sinal da guitarra passasse "por fora" do pedal. O outro sistema (não true bypass) utiliza um circuito eletrônico especial conhecido como "buffer", nesse esquema o sinal da guitarra continua passando pelo circuito do pedal mesmo quando o efeito está inativo, apenas passa por um caminho diferente, ou seja, passa pelo "buffer".

A questão é que o sinal da guitarra perde alguma coisa em sua pureza original toda a vez que passa por um circuito eletrônico. Os defensores do true bypass alegam que ao utilizar uma chave desviando o sinal, este seria mais preservado. Como tudo no mundo da guitarra, não existe unanimidade de opiniões. Lembro aqui que os pedais da Boss, de longe o fabricante mais famoso de efeitos de guitarra não são true bypass. Existe ainda alguns efeitos colaterais, alguns pedais true bypass produzem um incomodo "estalo" quando são acionados. 

A minha opinião pessoal é que os pedais true bypass de fato preservam mais o som original da guitarra mas vamos lembra que isso depende muito mais da qualidade dos cabos que você vai utilizar para interligar os pedais, de nada adianta ter pedais caros e eficientes e usar cabos e conectores vagabundos que vão detonar com o seu sinal !


Comprando pedais de guitarra !


Muito bem, quando eu concluir essa série de posts sobre pedais e pedaleiras vou fazer uma análise do que eu acho mais recomendável para um iniciante. Mas vou adiantar logo a conclusão ! A minha opinião é de que o iniciante deve começar com uma pedaleira de custo mais acessível. A razão disso é que o iniciante está em um processo ainda de conhecer os efeitos e pedais de guitarra. Ora, uma pedaleira, mesmo as mais simples, permite que o iniciante possa testar e utilizar mais de 20, 30 efeitos diferentes, ele só vai conseguir isso com os pedais se gastar uma nota preta ! Uma pedaleira de entrada, digamos, uma Zoom G2 ou uma Boss Me-25 custam quase a mesma coisa do que um pedal de melhor qualidade, então fica evidente a vantagem de se começar com a pedaleira ! Mas vou detalhar o assunto futuramente, aguardem !

Mas... Existe alguma coisa nos pedais que mexe com o subconsciente dos guitarristas ! Então, se você quiser começar direto com os pedais (e não tem nada errado com isso !), vou deixar algumas dicas.

Hoje em dia, existem pedais de tudo quanto é jeito, chineses, clones, handmades, de boutique, etc. Os preços, é claro, são os mais diferentes. A oferta é enorme (ainda bem, não ?!).
  • Você pode começar comprando um overdrive, se o seu amplificador já tem reverb ou delay embutido, já dá para começar a brincar legal, um pedal que tem um ótimo custo/benefício é o Boss SD-1 Super Overdrive, pedal muito bacana utilizado por muitos músicos profissionais. Outro overdrive de custo acessível que vale a pena testar é o Digitech Bad Monkey. Para um som mais pesado, o Boss Metal Zone é um clássico, ainda que muitos o detestem, rs !... Um pedal de distorção também muito bacana é o Pro Co Rat e seus clones, produz uma ampla variedade de distorções que podem ser ouvidas nos álbuns clássicos do rock !
  • Os pedais de eco analógicos são bastante limitados, é claro que muitos guitarristas preferem o som deles mas se você vai comprar o seu primeiro delay, por exemplo, recomendo que compre um pedal digital tipo o Boss Digital Delay, eles possuem muito mais recursos do que os pedais analógicos de delay, fora que muitos pedais de delay ditos "analógicos" na verdade não o são...
  • Infelizmente, de uns anos para cá, a Boss começou a lançar pedais compactos que na verdade são unidades digitais. O problema é que ela não deixa claro isso no nome do pedal ! Por exemplo, o Boss Phaser PH-2 é analógico mas já o PH-3 é digital. Ora, se eu quiser um efeito digital compro logo uma pedaleira ! Não que esses pedais sejam ruins mas penso não ser legal interligar vários efeitos que vão fazer conversão A/D e D/A a cada entrada e saída, fora que é inviável utilizar pedais digitais com bateria, dura muito pouco.
  • A Danelectro tem uma linha bastante ampla de pedais com preços extremamente acessíveis e boa qualidade, várias versões de pedais famosos estão disponíveis neste fabricante, é uma opção para quem está começando.
  • Alguns pedais analógicos clássicos, como por exemplo "Big Muff" e "Fuzz Face" foram projetados mais para funcionar com amplificadores valvulados, por conta disso você pode ter alguma decepção ao ligá-los no seu equipamento. Procure sempre ler as reviews e pesquisar informações antes de comprar qualquer pedal !
É isso, muita informação por hoje, depois continuamos, eu sou o MadGuitarMan e você está no Blog "Iniciante na Guitarra" ! Que sorte a nossa !!! abç.








terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Pedais ou Pedaleira ? Por onde começar ? (I)

Olá !!!

Primeiro post de 2014, que este seja um ano de grandes conquistas e muita música para todos nós !

Vamos começar o ano com uma série de posts sobre pedais, pedaleiras, simuladores, efeitos, etc. O assunto é bastante extenso então vamos abordá-lo com calma, sem tentar resumir as coisas.

Nesse post, vou contar o meu envolvimento com os pedais e como minhas preferências mudaram ao longo dos meus muitos anos de guitarra. Esse Blog foi feito com o único objetivo de ajudar os iniciantes e não de promover o blogueiro, quem me acompanha há mais tempo sabe que eu quase nunca falo de mim mesmo, já chega o excesso de autopromoção que a gente tem que aguentar nos fóruns de guitarra, certo ?! Mas nesse post vou abrir uma exceção, porque acho que a minha experiência será bastante instrutiva para os iniciantes.

Então vamos lá !

Muito antes de aprender a tocar, ainda nos primeiros anos da adolescência  comecei a me interessar por eletrônica e ler as revistas especializadas. Posteriormente, fiz também escola técnica. Nessa época uma revista técnica revolucionou a área de eletrônica, a saudosa "Nova Eletrônica". Essa revista, além de publicar artigos e esquemas de montagem, também vendia os kits com peças para quem quisesse comprar e montar. Já nos primeiros números, uma série de artigos sobre áudio e efeitos para guitarra chamaram minha atenção. O autor era o hoje lendário CCDB - Cláudio César Dias Baptista, irmão do Sergio e Arnaldo dos "Mutantes" e responsável pela construção dos equipamentos e instrumentos da banda. O estilo intrigante de escrever, misturando conceitos técnicos com filosofia e humor transformaram o Cláudio no grande "guru" do áudio e do DIY (Do It Yourself) de toda uma geração. Um gênio ! E o melhor, ele prometia que os seus circuitos seriam módulos de um sintetizador de guitarras ! Imaginem a minha excitação com isso, um garoto ter a perspectiva de montar um synth no auge do rock progressivo !

E, de fato, montei vários circuitos publicados pelo Cláudio, como o Phaser, Flanger, Distorcedor, Oitavador, etc. Esses circuitos, bem como as revistas podem ser encontrados para download na internet. Assim, tomei conhecimento de que o mundo da guitarra... era mais do que a guitarra !

Quando comecei a tocar guitarra, já trabalhava e possuía grana para comprar o que bem quisesse, comecei "colecionando" os pedaizinhos da Boss, Digitech e Ibanez. Quando apareceram as primeiras pedaleiras da Zoom também fui comprando e continuei também construindo os meus próprios pedais.

Pedais da Boss ! (não tive todos, mas tive muitos desses!)

Minha primeira pedaleira, pequenina, ficava presa a correia !

Não gostava nem um pouco dessas pedaleiras antigas (as com lógica de 16 bits), o som que eu conseguia com os pedais era infinitamente melhor.

Um dia, comprei uma guitarra Brian Moore que tinha o captador especial GK da Roland embutido e permitia conexão direta com os processadores avançados das linhas VG e GR.  Comprei uma série de equipamentos dessa linha, o incrível VG8 (equipamento revolucionário para a época !), depois  o VG88,  a linha de sintetizadores midi GR-30 e GR-33. Aí então descobri que essas pedaleiras caríssimas estavam anos-luz à frente de qualquer coisa que eu já tinha experimentado ! Durante muito tempo toquei exclusivamente com esses equipamentos e fui muito feliz !

Roland VG8


Porém, quando comecei a tocar mais a sério em ensaios e shows, comecei a ter alguns problemas. Primeiramente, o medo de uma dessas pedaleiras sofisticadas quebrar no meio de um show. Eu não tinha uma reserva. Também só possuía uma única guitarra que era compatível com estes sistemas, a Brian Moore. Eram equipamentos caros, não parecia sensato um músico amador ter sobressalentes, fora o perigo de roubo.

Por conta disso, acabei voltando para os pedais. E nessa época, comecei a comprar os chamados pedais de "boutique", como os da Xotic, Catalinbread, etc. De fato, principalmente em se tratando de overdrive e distorção, estes pedais entregam um timbre superior.

Eu era então o típico músico amador que tinha uns 10 pedais caros na pedalboard, amplificadores valvulados cheios de detalhes e gastava uma grana pretíssima todo o mês comprando equipamentos e... tinha um timbre bem ruim !!!

Nessa época, algumas coisas me fizeram mudar. Primeiramente, fiquei amigo de alguns músicos profissionais, desses que tocam na noite, MPB, Jazz, etc, e vi que eles tinham uma visão completamente diferente sobre guitarras e equipamentos. Entendi que a obsessão com timbre e equipamentos é coisa de "guitarrista de apartamento", caras que estão trocando de equipamentos o tempo todo e por isso mesmo nunca conseguem acertar o seu som ! Vi que os profissionais ficam bastante tempo com um equipamento e conhecem muito bem aquilo que usam. Que o cara que sabe equalizar corretamente um amplificador consegue um timbre muito melhor do que outro que tem dezenas de pedais e processadores. Minha conclusão foi quanto mais botões existem, mais difícil é de se conseguir chegar em um bom resultado. Pelo menos para mim !!!

Decidi então simplificar minha cadeia de efeitos, passei a usar apenas um wha, um phaser, um delay e um overdrive e toquei muito tempo com essa configuração.

Porém, comecei a mudar também como guitarrista. Passei a tocar quase que exclusivamente Blues, Soul Music, MPB e um pouco de Jazz. Estilos muito chegados no som clean. Comecei também a me dedicar mais a guitarra ritmo e a harmonia. Isso me fez, aos poucos, migrar para os amplificadores transistorizados, já que mesmo a compressão leve do canal clean dos valvulados me incomodava um pouco. Entendi também que o som que eu quero pede uma Stratocaster com singles de baixíssima saída. A maneira como eu toco também foi mudando aos poucos, eu não brigo com o som da Stratocaster, tento "engordar" o som da guitarra tocando muitos intervalos, oitavas, acordes, raramente eu toco uma nota única, mesmo em um solo ! Fui então abandonando aos poucos os pedais até usar apenas o wah. Depois, nem mesmo ele !

Hoje, toco sem nenhum pedal, uso apenas uma Stratocaster, customizada e regulada por mim mesmo e um amplificador que tenha reverb de mola, sempre tocando clean, às vezes com um pouquinho de drive do próprio amp. Embora eu não seja um músico muito técnico, digo que tiro um som matador desse equipamento, tem gente que fica intrigada com isso !

Meu equipamento para um show: Uma Strat Fender e um pequeno Amp !


Muito bem, vimos então que aquele garoto que era fascinado com os pedais, que teve de tudo, hoje não usa nenhum ! Isso não quer dizer que o mesmo vai acontecer com você, cada um deve procurar o seu som, o seu caminho, seja ruim mas seja você mesmo !!!

No próximo post, os pedais analógicos, abraços a todos !



sábado, 21 de dezembro de 2013

Merry Christmas !!!

Um feliz natal para todos os amigos que acompanharam o blog em 2013, as coisas nem sempre são fáceis mas o importante é que chegamos até aqui !!! Deixo esse lindo vídeo de natal com o Mestre Greg Lake acompanhado pelo grande Ian Anderson, duas lendas maiores do rock progressivo, um grande abraço a todos !!!

 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Review: Tagima TG530 "Woodstock"

Olá !

Nos últimos posts, apresentamos uma proposta para melhorar as reviews de instrumentos. Neste post, vamos aplicar essa metodologia na review do novo lançamento da Tagima, a stratocaster TG530, denominada "Woodstock".

Esta strat é mais uma guitarra fabricada na China e distribuída pela Tagima. Como a maioria das strats de baixo custo, esta também vem com corpo em basswood e com braço em maple. O diferencial dessa guitarra está na qualidade da pintura do corpo e no acabamento do braço, talvez por isso custe um pouco mais do que as strats chinesas com essas especificações.

Pintura e Acabamento

O corpo vem com uma pintura em PU de excelente qualidade. A guitarra que eu examinei vinha com uma pintura vermelho metálica na cor "candy apple red". Já comentei em post passado que considero esta cor a mais bonita de todas ! A tonalidade do candy apple red dessa guitarra  é muito bonita e não ha encontrei um única falha na pintura. Cheguei também a testar na loja uma da cor azul metálico, igualmente excelente. E o mesmo pode ser dito em relação ao verniz do braço, feito em uma bela tonalidade e muito bem aplicado. Este acabamento combinado com o escudo e plásticos "mint green", também de ótima qualidade, resulta em uma stratocaster realmente linda !

Tagima TG530 Woodstock



Braço e Trastes

O braço tem 22 casas e é feito em maple, porém, não em peça inteiriça, ou seja, a escala é esculpida em uma peça à parte. Não entendo bem o porque dos fabricantes fazerem isso, presumo que é por uma questão de facilitar a linha de produção, um mesmo braço pode ser usado para receber escala clara ou escura, segundo a demanda dos pedidos. Tenho uma certa reserva quanto a isso, preferiria que viesse em peça única mas não tenho elementos para dizer se o timbre pode ser comprovadamente afetado por essa construção.

Detalhe da do braço em maple, com escala em peça separada

A marcação dos dots é preta e os trastes médios. A nut é plástica.

detalhe do braço e dos trastes


Parte Elétrica

Já a parte elétrica traz 3 singles cerâmicos. Curiosamente, a primeira vez que eu vi essa guitarra na loja, tive quase certeza que ela vinha com captadores em alnico quando toquei nela. Realmente a aparência externa dos singles deixa dúvida se são de alnico ou cerâmicos mas mas quando abri essa da review comprovei que são, de fato, singles cerâmicos.

Aparência externas dos captadores

Parte Elétrica: captadores cerâmicos

Porém, achei o timbre dos singles legal, a guitarra entrega um som de strat bem convincente com os captadores originais. 

* * * Editado - um leitor informa (vejam nos comentários) que a guitarra deveria vir com os captadores em alnico, como está descrito no site de algumas lojas e que a Tagima se prontificou a substituir os captadores cerâmicos por um set em alnico. Entrei em contato com a Tagima e vamos confirmar esta informação. Neste caso, a guitarra ganharia muito em atratividade ! * * * 

* * * Edit 04/12/2013 * * * Então, recebi a resposta da Tagima nos seguintes termos: 

"Em 04/12/2013 09:20, Williamar Campos Ambrosio escreveu:
Ola tudo bem?
Peço desculpas pelo erra , mais esse modelo possui captador com imã cerâmico e não alnico. Esse foi uma erro de copiar e colar na hora de fazer a descrição que infelizmente deixamos passar desapercebidos .
Abraço."
Acho lamentável esse tipo de posicionamento  mas já esperava por algo do tipo, afinal, mostra bem como as empresas brasileiras tratam o consumidor. Montar uma fábrica, treinar operários e controlar a qualidade dos produtos é algo um tanto complexo. Já encomendar instrumentos chineses e conferir o que recebeu deveria ser algo bem mais simples, mas, com certeza, mesmo isso deve estar além da capacidade de quem tem dificuldades em copiar e colar.... Alguns sites onde o consumidor é enganado, digo, informado que a guitarra vem com captadores em alnico:

http://www.carneiromusic.com.br/produto/3328-guitarra-tagima-woodstock-series-tg-530-sg
http://www.musicacenter.com.br/ecommerce_site/produto_6624_10826_Guitarra-Tagima-Stratocaster-Woodstock-Series-TG530
http://www.mundomax.com.br/guitarra-woodstock-series-tg530-verde-tagima
http://eurosoundmusical.com.br/index.php/guitarra-tagima-tg-530-woodstock-series-surf-green-1156.html
http://www.elomusical.com.br/2011/4,CORDAS/48,Guitarras/8819,GUITARRA_TAGIMA_WOODSTOCK_-_TG-530_MR_VERMELHO_METALICO_


E fim de papo ! * * * 

A fiação, potenciômetros, switch e capacitor estão ok.


As tarraxas são seladas e aparentam ser de boa qualidade, vêm com o logo da Tagima e também não vejo a menor necessidade de trocá-las. A parte traseira do headstock vem até com serial, hehe !

Headstock - detalhe das tarraxas seladas

Já a ponte vintage possui os carrinhos com qualidade razoável, porém, como acontece nas guitarras nessa faixa de preços, o bloco da ponte não é do tipo "big block" e sim uma peça mais fina e com menor massa. Esse detalhe afeta negativamente o timbre do instrumento.

Close da ponte

Detalhe traseiro da ponte e do bloco

Sempre existe a possibilidade de fazer um upgrade da ponte ou apenas do bloco (o site guitarfetish.com vende blocos de boa qualidade que podem ser adaptados). Pessoalmente, prefiro outra solução. Considero que a ponte vintage de 6 parafusos, mesmo sendo de boa qualidade e corretamente regulada não consegue entregar a mesma performance de uma ponte pivotada. Neste caso, acho mais vantagem travar a ponte com um bloco de madeira cortado especialmente para isto. Pretendo fazer um post em breve sobre o travamento da ponte. Com a ponte travada, minha experiência mostra que não há necessidade mexer no bloco.


Setup e Ajustes

A guitarra veio com as cordas muito altas, foi necessário ajustar o tensor. Com as cordas na altura correta, identifiquei trastejamento apenas em um ponto mas não cheguei a analisar se seria necessário fazer um nivelamento nos trastes, talvez sim. De uma maneira geral, o trabalho de trastes estava aceitável.

Metodologia Objetiva

Muito bem, registradas as minha opiniões sobre a guitarra, vamos aplicar a nossa planilha para estabelecer a pontuação, lembrando que  uma Fender Americana consegue uma nota geral de cerca de 8,9 nessa metologia. As notas da TG530 foram:

CONSTRUÇÃO E TOCABILIDADE 8,33
ACABAMENTO 9,00
MADEIRAS 5,98
PARTE ELÉTRICA 3,95
FERRAGENS 3,55
PLÁSTICOS 10,00

NOTA FINAL 6,20


A planilha com os detalhes da pontuação está no link abaixo:


Notem que planilha traz também algumas medidas da guitarra e a comparação com o padrão Fender.

Conclusão

Achei uma strat bem legal, mais uma boa opção para quem está começando ou mesmo para quem já toca com banda em ensaios e shows. Acho que a Tagima poderia lançar uma versão já com captadores em alnico e com a ponte com um bloco melhor, a qualidade do acabamento do instrumento justifica essa melhoria, lembro que a antiga TG635 brasileira, apesar de ter vários problemas, vinha com uma ponte de ótima qualidade com big block e nut de bronze, esse era o motivo porque muitos elogiavam o som desse modelo.

É isso, uma review bem detalhada, aqui a gente mata a cobra e mostra o pau, pau com cordas, evidentemente...

Abraços a todos !


* * * Edit 03/o2/2014 * * *  Pessoal, apenas para complementar a review, um detalhe que me passou despercebido (imperdoável, porque é evidente !), o escudo da guitarra não segue exatamente o padrão fender no shape e no número de parafusos, notem que tem 9 parafusos, um tanto estranho isso, só conhecia escudos com 11 (os mais comuns) e 8 parafusos, não que isso prejudique em algo o instrumento mas se vc quiser trocar o escudo, possivelmente os que seguem o padrão fender não vão servir, principalmente por causa da diferença de shape. A razão do escudo ser diferente é que o corpo da guitarra não segue exatamente o padrão da Fender, o "chifre" direito do corpo é um pouco mais cavado e estreito, talvez tenha sido feito assim para facilitar o acesso a parte final do braço ou talvez para previnir algum processo da Fender, vai saber... O fato é que se quiser trocar o escudo vai precisar mandar um Luthier fazer um.


domingo, 24 de novembro de 2013

Uma proposta para as reviews de guitarra !

Olá !

Vamos continuando com o assunto review.

No post de ontem vimos alguns problemas que podem comprometer a credibilidade das reviews de instrumentos, dentre eles o interesse comercial e a falta de experiência de quem faz a avaliação.

Na opinião do Blog, a  melhor solução seria criar um método que permita separar o que é fato das impressões, opiniões e preferências de quem avalia, ainda que estas também sejam importantes.

A nossa proposta é criar um critério de pontuação e julgamento que resulte uma NOTA OBJETIVA para o instrumento, conseguida esta nota aí sim podemos considerar as opiniões e impressões subjetivas.

Difícil ? Sim, mas não impossível. Para chegarmos nessa pontuação, vamos utilizar uma técnica chamada "nota percentual acumulada". Este método é utilizado para pontuar julgamentos técnicos em licitações e outras aplicações. Funciona assim: uma guitarra, no exemplo uma Stratocaster, valeria no máximo 100%. Estes 100% nós vamos dividir, digamos 25% para a construção, 10% para o acabamento, 20% para as madeiras, 25% para a parte elétrica 15% para as ferragens e 10% para os plásticos. Depois, vamos pegar cada item destes e subdividir atribuindo novos percentuais, por exemplo, a parte elétrica seria dividida em captadores, chave de seleção, potenciômetros, capacitor, fiação e blindagem. Estabelecemos mais uma vez os percentuais. Por fim, pegamos estes itens e novamente subdividimos, por exemplo os captadores seriam divididos segundo os tipos mais comuns em:

Cerâmicos Genéricos de baixa qualidade
Cerâmicos Genéricos de boa qualidade
Cerâmicos de marca de 1a Linha
Alnico Genéricos
Alnico de Marca de 1a Linha
Ativos
Noiseless
Captador Custo Shop ou "de boutique"

Estabelecidas os percentuais para cada um, bastaria o usuário marcar qual captador a guitarra possui. A nota final é obtida multiplicando os percentuais da "árvore" de divisões e somando.

Parece complicado, não ? Felizmente existem as planilhas Excel que facilitam essa implementação !

Abaixo, uma foto de parte da nossa planilha de avaliação (clique nela para ampliar):


Bacana, não ? Listar os itens a ser avaliados não é difícil, o problema é estabelecer os percentuais... Aí é que está, jamais encontraremos dois guitarristas que concordem com os percentuais que eu estabeleci, normal isso, rsrs !

Mas o caso é o seguinte, podemos discutir e estou aberto a sugestões para alterar os percentuais, caso argumentos mais fortes do que os meus sejam apresentados e quem não concordar de jeito nenhum poderá baixar a planilha e modificá-la como achar melhor, criando seu próprio critério, ok ?

Nessa metodologia, uma Fender American Standard conseguiu uma nota de 8,9 (89%)

A planilha terá ainda outras abas para registrar os dados da review, as opiniões e impressões e as fotos.

Daqui para frente, todas as reviews do blog serão feitas nessa metodologia, que ainda está sendo aperfeiçoada. Por enquanto criei apenas o modelo que serve para avaliar Strats e Teles, depois crio as outras.

No próximo post, a primeira review nessa metologia,  a da guitarra Tagima Woodstock TG-530.

Por enquanto, quem quiser dar uma olhada na planilha dessa review, clique AQUI


sábado, 23 de novembro de 2013

Mas qual é o problema com as reviews de guitarras ?!

Olá, newbies do bem!

O ano está terminando e daqui para a frente, o blog ficará mais focado nas reviews de instrumentos, uma vez que os assuntos básicos já estão bem documentados aqui. Mas vamos iniciar uma discussão sobre os objetivos, qualidades e problemas com as reviews, para que não incorramos nos mesmos erros que temos observado com relação a esse assunto.

Acho que todos sabem o que é uma review, é o registro da opinião de quem comprou um instrumento ou teve a oportunidade de testá-lo, relatando os pontos positivos e negativos, e ainda, talvez, recomendando ou não a sua compra para outros interessados.

Vamos encontrar reviews nas revistas e sites especializados, nos blogs, comunidades e fóruns da internet, e, ainda, as vídeo reviews no YouTube, cada vez mais comuns.

O problema começa quando analisamos a credibilidade dessas reviews.

Quando a review vem de uma revista, site especializado ou mesmo um canal de vídeo com milhares de seguidores, temos que considerar a possibilidade de que exista interesse comercial envolvido. Vejam o caso das revistas, elas perderam muitos leitores por causa da internet, será que possuem independência para apontar pontos negativos sem o receio de perder anunciantes, que já são tão poucos ?

No caso dos fóruns, o problema é outro: não sabemos quem está por trás da review. Quem frequenta diariamente os fóruns e comunidades da internet já conhece os usuários mais antigos e sabe quem tem credibilidade ou não para opinar. Porém, quando se pesquisa uma review pelo google e acha alguma coisa em fóruns, fica a dúvida se  aquela opinião merece ser levada em conta.

Mesmo um guitarrista experiente leva algumas semanas, ou mesmo meses,  para formar uma opinião sólida sobre um instrumento, já que sabe que deve testar a guitarra em diferente situações. No entanto, é uma situação muito comum em fóruns aquela do moleque que compra a sua primeira guitarra e no mesmo dia já posta uma review falando maravilhas do instrumento ! Normal isso, empolgação só faz bem para a alma mas coitado de quem compra uma guitarra igual baseado nessa opinião !

Lembro de um caso de um usuário de um fórum que escrevia muito bem, posts longuíssimos sempre em português impecável e falando sem parar em equipamentos. Pois bem, o tal carinha postou, tretou, causou, recomendou instrumentos, detonou outros, chegou ao ponto criar um tópico para queimar o filme daquele que é considerado um dos maiores Luthiers do Brasil. Até que alguém descobriu que esse carinha era um moleque com 9 anos de idade na época e nem sabia tocar guitarra direito !!! Tudo bem, nada contra a molecada, reconheço o potencial incrível desta geração, eles são o futuro da guitarra mas uma opinião tem que ter um embasamento, coisa que só a experiência traz !

Existem ainda aqueles que eu chamo de "e-Ndorsers", carinhas pagos pelas empresas para se cadastrar nos fóruns ficar falando maravilhas dos equipamentos de um determinado fabricante sem se apresentar como endorsers de fato da empresa! Tem luthieria e handmaker de pedal por aí que são especialistas nisso !...

Tá achando ruim ?!! Isso não é nada, o pior que pode acontecer é você comprar uma guitarra ruim, coisa que até tem o seu lado bom, pois nada nos ensina mais do que uma guitarra péssima, o pior é o que acontece no mercado financeiro, onde milhares de pessoas perdem as economias de uma vida comprando ações de empresas falidas, como Laep, Mundial, Agrenco, OGX e outras por causa das mentiras e potocas que os vigaristas e estelionatários postam nos fóruns de finanças ! Bem vindo ao mundo real !!!

Mas, por outro lado, não podemos ficar esperando que apareçam super especialistas para analisar os instrumentos que nos interessam, isso simplesmente é muito difícil de acontecer. O que precisamos é de um MÉTODO que permita organizar e separar o que é opinião subjetiva do que é fato nas análises de instrumentos. Se conseguirmos isso, até a opinião de um guitarrista inexperiente passa a ter o seu valor e precisamos da opinião de TODOS, já que hoje temos milhares de marcas e modelos no mercado !

Possivelmente amanhã, postarei a continuação do assunto com uma proposta de modelo para as reviews de guitarra que pode resolver este problema !

Até e abraços !





domingo, 3 de novembro de 2013

Tocar com cordas grossas... Será que vale a pena ?!

Olá, turminha das seis cordas!!!

Se houve uma coisa que me motivou a criar esse blog foi a oportunidade de evitar que os iniciantes sejam prejudicados pelas bobagens que circulam pelos fóruns, blogs, comunidades, facebook  etc. Claro que existem ótimas informações nesses canais, mas, infelizmente, nosso instrumento é vítima de  uma série de conceitos errôneos, lendas urbanas e outras bobagens que acabam se transformando em verdade, tal é a quantidade de guitarristas (?) que assinam embaixo dessas asneiras.

Pois bem, é muito comum um iniciante receber o conselho para que leve sua guitarra em um Luthier para colocar um jogo de cordas "pesado", calibre 0.011, 0.012 ou mais, para que sua guitarra "melhore o timbre" ou para conseguir o "som" do Stevie Ray Vaughan...  Em parte, esse conselho deriva de uma uma atitude um tanto ridícula de querer mostrar que guitarra "é coisa de macho", que guitarrista bom é um "ogro" do tipo Zakk Wylde, que Stevie Ray Vaughan tocava com encordoamento .014, e tal e tal. Mas, por outro lado, as cordas mais grossas trazem mesmo uma melhora no timbre, pela sua maior massa.

A questão aqui é analisar os pontos negativos e positivos das cordas grossas para chegar a uma conclusão se vale a pena tal mudança.

Mas vamos primeiro entender a numeração das cordas de guitarra. Cada corda de guitarra tem uma espessura diferente, por isso mesmo é possível atingir diferentes afinações em cada uma. O mercado de instrumentos costuma apresentar essas medidas em polegadas ("inches") e referenciar um  determinado conjunto de seis cordas pelo calibre em polegadas da corda mais fina (a chamada "mizinha" !). Assim, quando compramos um jogos de cordas .009, essa é  medida da corda mais fina, as outras cordas do jogo, evidentemente, são mais grossas. Existe um certo padrão para as medidas das cordas dentro do jogo, com pequenas variações de fabricante para fabricante. Em geral, as medidas seguem a tabela abaixo (válida para guitarra elétrica, cordas para violão estão dentro de outro padrão), sendo que as medidas estão da corda mais fina para a mais grossa:


set "extra super light" (levíssimas): .008 .010 .015 .021 .030 .038
set "super light" (super leves): .009 .011 .016 .024 .032 .042
set  "light" (leves): .010 .013 .017 .026 .036 .046 
set "medium" (médias): .011 .015 .018 .026 .036 .050
set "heavy" (pesadas): .012 .016 .020 .032 .042 .054 


É bom saber antes que, quando compra uma guitarra nova na loja, é quase certo que ela vem com um jogo de cordas .009 e se você quiser trocá-las por um jogo de outro calibre muito provavelmente o tensor da guitarra terá que sofrer um ajuste, possivelmente será necessário o envio da guitarra para um Luthier fazer essa troca e esse serviço tem um custo, é claro.

Entendido ? Agora que já sabemos o que significam os números, vamos entender as vantagens e desvantagens associadas às cordas leves e pesadas.

Um resumo sobre as vantagens e desvantagens trazidas pelo calibre das cordas:
  • Quanto mais grossa é a corda, maior o volume de som e maior o sustain (tempo que a corda soa).
  • Quanto mais grossa é a corda, mais difícil é fazer "bends", segurar acordes, pestana, vibrato e outras técnicas.
  • Quanto mais fina é a corda, mais fácil ela se quebra.
Muito bem, vamos analisar isso na prática. Os iniciantes não possuem ainda a força e os calos dos dedos formados, coisa que vem com o tempo. Então, um jogo .009 é bastante adequado para os iniciantes, pois vai proporcionar um bom equilíbrio entre a sonoridade e a facilidade de execução. Já  um jogo .008 talvez fosse mais adequado para quem tiver mãos pequenas ou então quiser se dedicar a um estilo muito veloz de palhetada, tipo Malmsteen, mas não é uma opinião unânime. 

Já um jogo .010 para iniciantes eu só recomendaria para iniciantes se fosse em guitarras que possuem escala padrão 24.75 polegadas, como as Les Pauls, pois nesse caso o tamanho menor da escala faz com que as cordas trabalhem com uma tensão um pouco menor, não recomendo para inciantes que tenham Stratocasters e outras que possuem escala de 25.5 polegadas. Porém, para quem toca guitarra há mais tempo é uma ótima opção, eu mesmo toco usando Stratocaster com um set .010 !

Acima disso (.011, 0.012, etc) a execução se torna uma verdadeira tortura para o iniciante, sendo praticamente impossível fazer bends normais ou executar acordes com pestana.

Uma coisa que poucos notam é que os grandes mestres da Stratocaster, como Jimi Hendrix, Robin Trower, Stevie Ray Vaughan, Kenny Wayne Shepherd e outros utilizavam cordas mais grossas, porém, afinavam a guitarra meio tom abaixo para diminuir um pouco a tensão das cordas !

Então a conclusão que eu deixo aqui é que você, pelo menos enquanto tiver na fase de aprendizado, evite as cordas grossas pois essas só vão retardar o seu desenvolvimento.

Vamos lembrar o que disse Rusty Cooley, um dos guitarristas mais técnicos que existem a respeito de se usar cordas grossas:

"Tocar guitarra já é difícil, para que você quer deixar isso mais difícil ainda ?!"


Abraços a todos !










sábado, 12 de outubro de 2013

Extreme Makeover ? Upgrade radical em uma Guitarra de R$ 300,00 !

Hi kids !

Em homenagem ao dia das crianças, Tio MadGuitarMan vai responder à pergunta de 1 milhão de dólares ! Bem, talvez nem tanto, mas decerto vou responder a pergunta de 300 pilas, que, por sinal, também não quer calar:

"Se pegarmos uma guitarra de R$ 300 e trocarmos tudo, mas TUDO mesmo, colocando peças top de linha, até que ponto ela chega próxima a uma guitarra top, digamos, a uma Fender Americana ?!"

Em outras palavras, estaremos avaliando até onde é possível chegar com um corpo de basswood e um braço de maple, desses bem baratinhos, já que o resto vamos trocar !

Agora, se você  já é leitor desse blog, sabe que o pensamos sobre "upgrades", já escrevi esse post aqui onde que falo que 90% dos upgrades que a turminha faz é apenas jogar dinheiro fora e que jamais devemos gastar muito com uma guitarra barata, no final vai ficar mais caro do que comprar uma guitarra de qualidade.

Mas, nesse caso, trata-se de uma "experiência" então vamos esquecer por um momento estes bons conselhos e vamos colocar peças excelentes (e caríssimas !) em uma guitarrinha barata apenas para ver o que acontece !

A escolha da guitarra


Mas então, eis que um dia estava andando pelo centro da minha cidade e passei em frente a uma loja bem pequena, dessas especializadas em vender instrumentos para músicos evangélicos e vi uma strat com um tampo figurado vermelho que me chamou a atenção pela beleza. Era uma strat Groovin, marca costumeiramente associada a instrumentos de qualidade duvidosa. Porém, mais uma vez, se você é um feliz leitor desse Blog, já sabe que esse nicho do mercado muda constantemente, a cada momento os fornecedores chineses mudam e a qualidade dos instrumentos que chegam melhora (ou piora !). Tirei uma foto da guitarra com o meu celular ainda na loja:

Foto da guitarra na tirada ainda na loja

Por que resolvi escolher essa guitarra ? Em primeiro lugar, achei a guitarra LINDA, como vocês vão ver pelas fotos a seguir. O corpo dessa strat é diferente. Ele é reto, não tem o "arm contour" das strats tradicionais e tem ainda um friso contornando tampo do instrumento. Como colocaram uma folha de maple tigrado no tampo, esse corpo ficou muito parecido com o a rara e bela Fender Aerodyne:

Fender Aerodyne

Curiosamente, a guitarra tinha também um "matching headestock" vermelho muito bonito, o que a fez ficar ainda mais parecida com a Aerodyne da foto acima.

Além da estética, os outros pontos positivos que eu achei na guitarra foram que o acabamento translúcido da parte traseira mostrava um corpo de madeira feito de 3 peças e com um peso bem adequado para uma Stratocaster, nem muito leve, nem pesado demais. Outra coisa que eu gostei bastante foi que o braço, bastante bem feito,  tinha um formato "C" shape bem próximo ao da minha Fender American Standard. O instrumento ficou muito bem balanceado e transmitia uma sensação de solidez, coisa não muito frequente em guitarras desse preço.

Infelizmente nem tudo eram flores. A "nut" era extremamente mal feita, não tinha como corrigir, só trocando mesmo e a guitarra estava completamente desregulada e deu para ver que ia ser necessário fazer um nivelamento dos trastes. Só esses dois problemas, caso eu mesmo não tivesse feito, iria gastar uns R$ 200 num Luthier... Outra coisa não muito boa era que o escudo não seguia o padrão exato da Fender, embora a diferença fosse muito pequena, não percebi isso na loja.

As tarraxas eram seladas, achei a qualidade boa. A ponte bem ruinzinha, como costumam ser nessa faixa de preço e os captadores fraquíssimos.

Mas enfim, a guitarra era muito bonita e resolvi pegar assim mesmo !


O upgrade


Bem, não falei que iríamos trocar tudo e colocar tudo do bom e do melhor ? Começamos então com os captadores, coloquei logo um set Seymour Duncan Lipstiscks, um dos melhores sets  que eu conheço para stratocasters, são captadores que entregam um belíssimo timbre característicos de singles coils vintage mas com aquele ressoar típico dos lipsticks. Tenho uma outra strat equipada com lipsticks GFS, também captadores excelentes (e muito mais baratos do que os SD) mas o set SD tem um som mais equilibrado nos graves (os GFSs puxam um pouco para o agudo) e os caps do set são mais equilibrados entre si. Mas recomendo fortemente qualquer um dos dois sets, um timbre maravilhoso, visual arrasador e a capa de metal fornece uma blindagem adicional que, por si só, reduz os ruídos dos singles !

O que mais foi trocado :
  • Toda a parte elétrica, potenciômetros, fiação, capacitor e chave.
  • Os abaixadores "arvore" foram substituídos por outros do tipo "roller".
  • A ponte eu coloquei uma que eu tinha parada aqui da Condor, não é uma ponte top mas é muito boa.
  • A nut defeituosa foi substituída.
  • As tarraxas eu deixei, achei as originais boas.
  • Cordas D"Addario 0.10
Além disso, tive que fazer um trabalho de nivelamento dos trastes, que estavam completamente desnivelados.

A guitarra depois do upgrade !


Assim que recoloquei o escudo com os lipsticks, levei um susto ! A guitarra ficou mais LINDA ainda com eles ! o Tampo reto figurado, o friso e o visual chocante dos lipstciks deram a ela um ar de "Surf Guitar" fantástico, vou colocar logo as fotos, melhor do que ficar falando !

Frente da guitarra, notem o matching headstock !

Detalhe do friso

Corpo de madeira em 3 peças 



Close do corpo


Os testes com a guitarra


Tudo resolvido, peças instaladas, trastes nivelados e guitarra regulada, liguei ela em um amplificador Fender SuperChamp XD e escutei um timbre clean muito bonito, gostei, não esperava que ficasse tão bom ! Fiquei com ela em casa várias semanas, sempre tocando junto com minhas outras strats, a minha impressão nesses testes é que a guitarra realmente entregava um belo som de strat, porém, sem a mesma complexidade e riqueza de timbre das minhas duas strats principais, mesmo assim gostei bastante, era um prazer apenas ligar a guitarra e ficar tocando só para ouvir o som dela !

Após umas semanas tocando em casa, levei ela para um ensaio com a minha banda, que basicamente é um trio composto de bateria, baixo e guitarra que acompanha um saxofonista, nosso repertório é composto de arranjos com múiscas de Jazz, Blues e Soul music. A guitarra fica clean praticamente 100% do tempo. Nesse ensaio, não gostei do resultado. Achei que o som ficou muito agudo, os graves soando fracos e sem presença, uma coisa que não se espera de jeito nenhum com um set de captadores de alta qualidade como esse. Enfim, decepcionante.

Fiquei pensando no que podia ter acontecido, já que a guitarra soava bem no pequeno valvulado Fender com que eu toco em casa. Fiz uma nova regulagem na guitarra, alterando inclusive a altura dos captadores. Lembrei também que o amplificador que eu uso nos ensaios, um Laney TF200, está precisando de uma revisão, de vez em quando o som fica ruim, sem presença nenhuma e esse defeito é intermitente. Talvez o amplificador estivesse dado "tilt" no dia do ensaio...

Passado algumas semanas, fui em um outro ensaio onde tocaríamos um repertório de classic rock. Dessa vez as coisa foram diferentes, o som da guitarra estava excelente, todos na banda elogiaram a beleza do instrumento e seu som ! Participou desse ensaio o cantor e professor de guitarra Inácio Cavalieri, um músico profissional muito experiente e que sabe tudo de guitarra. O Inácio inclusive tocou na Strat Groovin e fez elogios ao seu som.

Eu fiz um pequeno vídeo do Inácio tocando na guitarra, a qualidade do vídeo e audio não é das melhores pois foi filmado com o celular mas dá uma ideia do timbre da guitarrinha !


Conclusão


Confesso que quando planejei fazer esse post tinha certeza que o resultado mostraria que não vale a pena investir em uma guitarra barata. Não foi bem assim. Com certeza mesmo com todos os upgrades a guitarrinha não consegue entregar um som com a riqueza de timbres de uma boa Fender americana com corpo de alder. Porém, a verdade é que mandou um som de strat muito bom, o corpo de basswood não comprometeu aquele timbre estalado de strat que todos gostam, isso foi uma surpresa para mim. Daria para fazer um show profissional com essa guitarra e seus upgrades, ela seguraria o som de uma banda ? Com certeza.

Eu planejei fazer um vídeo comparando a Groovin com a Fender mas  confesso que fiquei com preguiça, depois que já tinha conseguido fazer um vídeo no ensaio que mostrou o som da guitarra. Mas se vocês quiserem, peçam que eu faço !

E o que acontecerá com a guitarrinha ? Bem, não faz sentido deixar um set de caps tão caro quanto esse nela. Vou retirá-los. Aliás, acho que um upgrade com caps de maior saída seria mais recomendado para esse instrumento mas gostei tanto do visual dela com os lipsticks que hesito em mudar, quem sabe encomendo mais uns lipsticks da GFS ?

É isso, espero que tenham gostado do post, abraços a todos !



* * * Atualização 14/02/2014 * * * Bem, a guitarra continua do mesmo jeito, não retirei as peças e tenho usado ela direto em ensaios e shows. Realmente gostei desse instrumento, foi o melhor resultado que eu já obtive com upgrades de guitarras e olha que já fiz muitos ! Os pontos fortes são o braço extremamente confortável e o timbre muito equilibrado, clean lindo, um pouco "dark", como eu gosto. A guitarra desperta muita curiosidade dos outros guitarristas, pela beleza, pelo som e por ser de uma marca de instrumentos baratos, a galera fica intrigada ! Já encomendei uma ponte melhor para ela. Gostaria muito de conseguir outra igual mas já procurei e  não acho, a loja onde eu comprei fechou, se alguém souber onde tem outra Groovin   (mas tem que ser igualzinha, com headstock vermelho !) igual a essa, me avisem, plz !